sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Dr. Sérgio Pacheco
Colunas

Dr. Sérgio Pacheco

Vice-prefeito de Piracicaba e médico cardiologista formado pela PUC-Campinas. Foi secretário municipal de Saúde e acumula mais de 20 anos...

“A farra acabou? Não, ela só mudou de salão”

· 3 min de leitura

Pontos-chave

  • Banco Master ruiu com bilhões em jogo e investigações sobre fraude, corrupção e lavagem de dinheiro
  • BRB tentou comprar parte do banco e Vorcaro tinha acesso a círculos de poder
  • Autor critica falha sistêmica de fiscalização e impacto nos serviços públicos

Nota da Redação: O portal PIRANOT preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de ideias. Ressaltamos, no entanto, que os textos de opinião publicados neste espaço são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, obrigatoriamente, a visão do portal, de seus editores ou parceiros.

Publicidade

Enquanto o Brasil discutia futebol, celebridades e fofocas de internet, um dos maiores escândalos financeiros dos últimos tempos avançava pelos bastidores de Brasília.

O Banco Master ruiu. Bilhões em jogo. Milhares de credores. Investigações da Polícia Federal. Prisões. Suspeitas de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e relações perigosas entre dinheiro, política e poder.

Publicidade

Mas o mais grave talvez não seja apenas o tamanho do rombo. O mais grave é perceber como esse tipo de caso atravessa governos, partidos, bancos públicos, gabinetes e autoridades, enquanto a população só descobre a conta quando ela já chegou.

Daniel Vorcaro não circulava sozinho. Tinha acesso. Tinha portas abertas. Conversava com gente grande. Fez negócios que agora estão sob investigação. O BRB, banco público do Distrito Federal, tentou comprar parte relevante do Banco Master. E a pergunta que fica é simples: quem estava olhando para isso antes de tudo explodir?

Publicidade

Não se trata de defender lado A ou lado B. Essa é justamente a armadilha. Quando um escândalo desse tamanho aparece, cada grupo tenta empurrar a sujeira para o outro. Um diz que é perseguição. Outro diz que a culpa é da oposição. Alguém culpa o Banco Central. Alguém culpa o Congresso. E, no fim, ninguém assume o essencial: o sistema inteiro falhou.

Falhou quem deveria fiscalizar. Falhou quem deveria perguntar. Falhou quem preferiu não enxergar. Falhou quem achou normal dinheiro demais circulando perto demais do poder. E enquanto isso acontece, o cidadão comum continua ouvindo que não há recurso para saúde, educação, segurança, infraestrutura e atendimento digno. 

Publicidade

Em Piracicaba e no interior, essa frase pesa ainda mais. Porque quem acorda cedo, trabalha, paga imposto e espera serviço público funcionando sabe que a conta dos erros de Brasília nunca fica em Brasília.

Os impactos aparecem no cotidiano da população: nas demandas da saúde, na necessidade constante de melhorias em infraestrutura, no apoio às entidades sociais, nos desafios enfrentados pelos hospitais e nas dificuldades que municípios do interior muitas vezes encontram para serem ouvidos nos grandes centros de decisão do país.

Publicidade

Por isso, o caso Banco Master não pode ser tratado como mais uma notícia distante. Ele mostra uma doença maior: quando o poder se acostuma a conversar apenas consigo mesmo, o povo vira plateia. E quando o povo vira plateia, a política vira salão fechado.

A distração ajuda. O entretenimento ocupa. A fofoca viraliza. A indignação dura pouco. E, nesse intervalo, muita coisa passa sem o devido olhar.

O problema não é gostar de futebol, acompanhar famosos ou rir de memes. O problema é aceitar que isso substitua a vigilância. Porque enquanto a tela prende a atenção, os bastidores seguem funcionando.

Piracicaba não pode assistir a tudo de longe. Precisa de representantes que entendam que Brasília não é palco para vaidade, mas lugar de fiscalização, coragem e defesa da cidade.

Publicidade

A farra não acabou. Ela só mudou de salão.

E se a população não entrar nesse salão com mais cobrança, mais memória e mais exigência, a conta vai continuar chegando para quem nunca participou da festa. 

Dr. Sérgio Pacheco atualmente é vice-prefeito de Piracicaba e quinzenalmente escreve para os leitores do PIRANOT.

Dr. Sérgio Pacheco
Sobre o colunista

Dr. Sérgio Pacheco

Vice-prefeito de Piracicaba e médico cardiologista formado pela PUC-Campinas. Foi secretário municipal de Saúde e acumula mais de 20 anos de experiência em hospitais da região. Escreve quinzenalmente no PIRANOT sobre saúde pública, gestão e os desafios do sistema de saúde municipal.

Ver todas as colunas →
Publicidade