sábado, 18 de julho de 2026
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Importações chinesas sobem 80%, fábrica familiar perde 30% do faturamento e Brasil vende 22% menos ao parceiro do Mercosul

Abertura comercial de Milei derruba indústria de autopeças argentina e atinge exportações brasileiras

Importações chinesas sobem 80%, fábrica familiar perde 30% do faturamento e Brasil vende 22% menos ao parceiro do Mercosul

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Fábrica argentina Suspenmec perdeu 30% das vendas com concorrência chinesa após reformas de Milei
  • Importações argentinas de autopeças da China saltaram 80,9% em 2025, para US$ 2,14 bilhões
  • Setor de autopeças perdeu 3 mil empregos em um ano, enquanto economia encolheu 2,1% em fevereiro
  • Exportações brasileiras de autopeças para a Argentina recuaram 22% em 2025, afetando polos como Piracicaba

As vendas da Suspenmec, fábrica familiar de autopeças na Grande Buenos Aires, despencaram 30% em um ano. O tombo é efeito direto da abertura comercial do presidente Javier Milei, que valorizou o peso, eliminou licenças de importação e expôs a indústria local a uma enxurrada de componentes asiáticos.

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“Impossível competir”, afirmou Santiago, gerente comercial da empresa, à imprensa argentina. A Suspenmec, fundada há 27 anos, emprega 35 funcionários e fornecia para montadoras como Toyota e Ford. Com a concorrência de produtos chineses, até três vezes mais baratos em alguns casos, a produção encolheu.

Dados da Associação de Fabricantes de Autopeças da Argentina (AFAC) mostram que o país importou US$ 10,32 bilhões em componentes em 2025 — alta de 11,6% sobre o ano anterior. As compras da China dispararam 80,9%, atingindo US$ 2,14 bilhões. A AFAC calcula que o déficit comercial do setor ultrapassou US$ 7,4 bilhões.

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Peso forte e importações sem freio

Milei desmontou o sistema de autorizações prévias de importação (SIRA) e eliminou a exigência de conteúdo local. Somada à valorização de 40% do peso em 2024, a política tornou o produto importado artificialmente mais atraente. O resultado foi um deslocamento da produção nacional: a AFAC reportou perda de 3 mil postos de trabalho no setor entre agosto de 2024 e agosto de 2025.

“Parece uma tempestade perfeita”, disse Bruno Gatta, presidente da AFAC. Ele alertou que as empresas argentinas perderam até 12 pontos percentuais de participação de mercado para importados, com risco de fechamento em massa se a tendência persistir.

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Economia em retração amplia crise

O ajuste de Milei também freou o consumo. O Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC) registrou queda de 2,1% na atividade econômica em fevereiro de 2026, na comparação anual. A indústria de transformação recuou 8,7%, e o PIB teve retração mensal de 2,6%.

Onda de choque chega ao Brasil

A crise respinga no parque industrial brasileiro. Conforme o Sindipeças, as exportações de autopeças para a Argentina caíram 22% em 2025, para US$ 2,5 bilhões. A Argentina é o segundo maior destino de autopeças brasileiras, atrás apenas dos Estados Unidos.

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Cidades como Piracicaba, no interior paulista, sentem o golpe. O polo metalmecânico local exportou US$ 120 milhões em autopeças em 2024, com forte dependência do mercado argentino. O recuo da demanda vizinha já pressiona encomendas e planejamento de produção.

O caso argentino acende um alerta para a política comercial brasileira, que discute reduções tarifárias sem contrapartidas claras para a indústria. Para analistas, a terapia de choque de Milei expõe os riscos de uma abertura acelerada sem redes de proteção.

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