O déficit comercial dos Estados Unidos saltou para US$ 60,3 bilhões em março, impulsionado por uma corrida sem precedentes por equipamentos de inteligência artificial. As importações de bens de capital atingiram um recorde histórico de US$ 120,7 bilhões, refletindo a demanda voraz por chips e máquinas avançadas.
O resultado, porém, não sinaliza fraqueza econômica. As exportações americanas também bateram recorde, alcançando US$ 320,9 bilhões no mês. O petróleo foi o grande motor, com embarques turbinados pelo conflito entre EUA, Israel e Irã.
A combinação de recordes simultâneos nas duas pontas revela uma economia operando em alta velocidade, puxada por setores específicos. O comércio exterior subtraiu 1,30 ponto percentual do PIB americano no primeiro trimestre, mas a atividade ainda cresceu 2,2% em ritmo anualizado.
Corrida por chips e máquinas redefine perfil das importações
O salto das importações americanas em março foi concentrado em bens de capital, que atingiram o recorde de US$ 120,7 bilhões. O valor superou todos os registros históricos do indicador.
O movimento reflete a corrida global por tecnologia de inteligência artificial, que aqueceu a demanda por semicondutores e equipamentos de ponta. Economistas consultados pela Reuters previam déficit de US$ 60,9 bilhões, ligeiramente acima do registrado.
Enquanto isso, as exportações de mercadorias subiram 3,1%, para US$ 213,5 bilhões, outro patamar inédito. O Departamento de Comércio atribuiu o desempenho aos embarques de petróleo, favorecidos pela instabilidade no Oriente Médio.
Conflito no Oriente Médio impulsiona exportações de petróleo
As exportações de petróleo dos Estados Unidos atingiram valor recorde em março, impulsionadas pelo conflito entre EUA, Israel e Irã. O aumento reflete tanto a elevação dos preços da commodity quanto o deslocamento da demanda global para fornecedores americanos.
A guerra afetou rotas tradicionais de suprimento, beneficiando exportadores dos EUA. De acordo com o Departamento de Comércio, a tendência deve se manter nos próximos meses, com embarques ainda mais robustos.
Apesar de o déficit ter crescido 4,4% no mês, para US$ 60,3 bilhões, o desempenho do setor energético indica um segmento aquecido. O comércio exterior subtraiu 1,30 ponto percentual do PIB do primeiro trimestre, mas o resultado reflete mais a forte demanda interna por bens de capital do que uma fraqueza generalizada.
Efeito cambial e juros altos desafiam exportadores brasileiros
Para o Brasil, o cenário se complica com a combinação de câmbio e juros. O dólar era cotado a R$ 4,96 em 4 de maio, e a Selic permanecia em 14,50% ao ano. Esse patamar encarece o crédito e reduz a competitividade dos exportadores brasileiros, especialmente os de bens de capital.
O setor metalmecânico de Piracicaba, tradicional polo de máquinas agrícolas e industriais, pode sentir reflexos indiretos. A valorização do real frente ao dólar e os juros altos dificultam a colocação de produtos no exterior, justamente quando os EUA ampliam suas compras de equipamentos de alta tecnologia.
Não há dados diretos que vinculem os números ao município, mas a dinâmica cambial e a demanda aquecida no mercado americano sinalizam um ambiente desafiador para a indústria local.











