O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas atingiu 29,7% em fevereiro, novo recorde da série histórica do Banco Central (BC). O índice subiu 0,2 ponto percentual em relação a janeiro, quando estava em 29,5% (dado revisado). Nunca antes as famílias destinaram tão alta parcela do orçamento para quitar débitos.
O indicador mede a porcentagem da renda mensal comprometida com pagamentos de dívidas financeiras, como crédito consignado, cartão de crédito e cheque especial. Segundo o BC, a alta reflete o acúmulo de passivos em um cenário de juros elevados e inflação persistente.
O recorde acende alerta sobre o limite financeiro das famílias. A tendência de alta contínua do comprometimento da renda levanta dúvidas sobre a eficácia de programas de renegociação, como o Desenrola 2.0, que o governo federal prepara.
A série histórica do BC, iniciada em 2011, nunca registrou um percentual tão alto. O recorde anterior era de 29,5% em janeiro de 2025. A tendência de alta preocupa analistas, que veem espaço para novo aumento nos próximos meses.
Comprometimento da renda atinge recorde histórico
O índice de 29,7% é o maior desde o início da série histórica do BC. Em janeiro, o percentual era de 29,5%, também um recorde na época. A alta de 0,2 ponto percentual mostra a trajetória ascendente do endividamento familiar.
O BC revisou os dados de janeiro para cima, indicando que a situação já era mais grave do que inicialmente divulgado. A parcela da renda destinada a dívidas nunca foi tão alta, restando menos para consumo e poupança. Isso pressiona a atividade econômica, já que as famílias reduzem gastos.
Governo prepara Desenrola 2.0 como alívio
Diante do cenário, o governo federal articula a segunda fase do programa Desenrola. Em reunião com ministros e bancos públicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu as regras do programa, segundo Banco Central. A nova fase prevê descontos para renegociação de dívidas de pessoas físicas.
Conforme análise da CNN Brasil, o Desenrola 2.0 pode aliviar o orçamento das famílias no curto prazo, mas não resolve as causas estruturais do endividamento. A eficácia dependerá do alcance e dos descontos oferecidos. Sem medidas que ampliem a renda real ou reduzam os juros, o alívio tende a ser temporário.
Desafios estruturais e perspectivas
O recorde de comprometimento da renda sinaliza que as famílias operam no limite. Sem crescimento da renda real ou redução dos juros, a tendência de alta do endividamento deve persistir. O BC alerta que a elevação do comprometimento reduz a capacidade de consumo e poupança.
Programas como o Desenrola 2.0, embora necessários, não atacam as raízes do problema. segundo Banco Central, é preciso medidas que ampliem a renda disponível e diminuam o custo do crédito. Enquanto isso não ocorrer, o alívio será temporário e o recorde de endividamento pode se repetir.
O dado de fevereiro serve como alerta para a necessidade de políticas que combinem alívio imediato com reformas estruturais. O Desenrola 2.0 pode ser um primeiro passo, mas sozinho não reverterá o aperto financeiro das famílias brasileiras.











