O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27), em Brasília, a candidatura presidencial de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, com o desafio de se diferenciar do bolsonarismo que apoiou em 2018 e 2022.
O ato nacional do Novo coloca Zema na disputa por uma faixa da direita que tenta se reorganizar fora do comando direto da família Bolsonaro. A candidatura chega com 3% de intenção de voto no Datafolha de julho de 2026 e ainda sem vice definido.
O contraponto central da largada é a relação de Zema com as empresas da família. Em nota, a assessoria do ex-governador afirmou que os incentivos fiscais concedidos à Eletrozema S/A ocorrem desde 2008 e cumprem todos os requisitos legais. Em 25 de junho de 2024, durante a gestão de Zema no governo de Minas Gerais, o estado concedeu isenção fiscal de R$ 2,2 milhões à empresa controlada por sua família.
Trajetória de Zema combina afastamento empresarial, patrimônio e bolsonarismo
Zema, 61, construiu a projeção nacional a partir de Minas Gerais. Ele governou o estado de 2019 a março de 2026, quando renunciou para concorrer ao Planalto. Em 2018 e 2022, apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro, histórico que agora pesa sobre sua tentativa de ocupar espaço próprio na direita.
O histórico empresarial também acompanha a candidatura. O patrimônio declarado por Zema ao TSE em 2022 foi de R$ 130 milhões. Em 2024, a Eletrozema S/A, empresa controlada pela família, recebeu a isenção fiscal de R$ 2,2 milhões citada pela assessoria como parte de uma política existente desde 2008.
A candidatura combina a experiência no governo mineiro com críticas ao governo Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal. A aposta é alcançar eleitores de direita sem ficar subordinado à família Bolsonaro.
O movimento ocorre em uma direita ainda sem centro único de comando. O distanciamento de Flávio Bolsonaro resultou do cálculo político de Zema e encerrou a possibilidade de o ex-governador atuar como vice em uma chapa liderada por Flávio.
Em outra frente da disputa nacional, o PiraNOT mostrou que, em julho de 2026, Flávio Bolsonaro ligou o Banco Master a Lula em carta aos EUA. A candidatura de Zema entra nesse mesmo tabuleiro da direita, mas busca apresentar um perfil liberal próprio.
Novo tem até 5 de agosto para definir o vice de Zema
O Novo chegou à convenção com a candidatura presidencial definida, mas a composição da chapa ainda depende de anúncio formal. Joaquim Barbosa aparece entre os nomes cotados para vice, e Zema confirmou que o ex-ministro do STF está entre as opções. O prazo final para a indicação é 5 de agosto de 2026.
A estratégia da campanha é usar o início oficial da corrida, com propaganda e debates, para ampliar o conhecimento nacional sobre Zema. O dado de 3% no Datafolha de julho de 2026 indica o ponto de partida eleitoral do ex-governador.
A próxima decisão formal será a indicação do vice até 5 de agosto de 2026. Na frente empresarial, Zema sustenta que se afastou das empresas da família para governar Minas Gerais, enquanto a assessoria afirma que os incentivos à Eletrozema S/A são legais e ocorrem desde 2008.












