O presidente da Argentina, Javier Milei, atacou o ministro Alexandre de Moraes neste sábado (25 de julho de 2026), em São Paulo, e levou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a repudiar a fala.
A Presidência do STF afirmou, em nota, que a declaração foi uma “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”. Fachin acrescentou que o tribunal “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
A fala de Milei ocorreu durante discurso de 30 minutos na convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, quando ele chamou Moraes de “lixo careca”. Fachin divulgou a nota no mesmo sábado, em nome da Presidência do Supremo Tribunal Federal.
Ataque ocorre após Moraes negar visita a Bolsonaro
O ataque ocorreu depois de Alexandre de Moraes negar autorização para que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em julho de 2026, Moraes negou a visita após endurecer as regras da prisão domiciliar de Bolsonaro.
O episódio se soma a embates recentes em torno de decisões do Supremo. Em abril de 2026, Edson Fachin rebateu um relatório do Comitê Judiciário dos Estados Unidos que acusava Moraes de censura. À época, ele afirmou que as ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais se inseriam em investigações sobre a instrumentalização criminosa das redes sociais.
Ao responder em nome da Presidência do STF, Fachin tratou a declaração como uma ofensa institucional, e não como uma réplica pessoal de Moraes. A nota não anunciou providência formal no âmbito da Corte, e Moraes não havia se manifestado diretamente sobre o ataque.
Itamaraty não se manifesta sobre declaração de Milei
Até a publicação desta matéria, o Ministério das Relações Exteriores não havia divulgado manifestação oficial. Sem uma resposta do Itamaraty, o posicionamento brasileiro sobre o episódio permanece restrito à nota da Presidência do STF.












