O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), confirmou nesta segunda-feira (20) ter destinado emendas impositivas estaduais a municípios paulistas por sugestão do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que não possui mandato eletivo.
A declaração amplia para a esfera estadual as suspeitas de que o dirigente partidário influencia o direcionamento de emendas parlamentares, prática que já é alvo de investigação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das emendas federais.
Em entrevista ao Valor Econômico, Prado citou os municípios de Biritiba Mirim e Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, como exemplos de cidades que receberam recursos após pedidos de Costa Neto. O presidente da Alesp classificou a solicitação como um “direito” do dirigente partidário.
Investigação federal e bloqueio de R$ 119 milhões
A atuação de Valdemar Costa Neto sobre emendas federais levou o ministro Flávio Dino, do STF, a determinar o bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL em 10 de julho. A decisão foi baseada em mensagens de servidores da Câmara dos Deputados que indicavam a destinação de recursos por orientação do dirigente, conforme revelou o PIRANOT.
O valor bloqueado equivale a 3,29% do orçamento municipal de Piracicaba para 2026, estimado em R$ 3,62 bilhões. A medida gerou reação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que acusou o STF de criminalizar a política.
A investigação da PF aponta que assessores e deputados do PL atuavam como intermediários para viabilizar as emendas sob comando de Valdemar. Em entrevista à revista Veja, o presidente do PL primeiro admitiu que presidentes de partidos tinham “cotas clandestinas” de emendas, mas depois recuou e negou ter cota própria.
Valdemar nega irregularidade e fala em “coisa normal”
Procurado, Valdemar Costa Neto afirmou ao jornal O Liberal que a prática de sugerir emendas é “a coisa mais normal do mundo” e negou ter uma “cota” para destinar recursos. “Não tenho cota nenhuma. Isso é um direito que o presidente do partido tem de pedir para os deputados”, disse.
André do Prado, por sua vez, confirmou que atender aos pedidos não configura irregularidade. “É um direito dele. Ele é o presidente do partido, e nós temos que ter uma relação institucional”, afirmou.
Próximos passos e lacunas na apuração
Até o momento, não há informações sobre a abertura de investigação estadual específica sobre as emendas da Alesp ligadas a Valdemar. A Polícia Federal monitora o caso no âmbito federal, mas não se manifestou sobre possível extensão para São Paulo.
Os valores exatos das emendas estaduais citadas por Prado não foram divulgados, e a Assembleia Legislativa não disponibilizou documentos que detalhem a destinação. A ausência de transparência sobre os critérios de distribuição das emendas impositivas estaduais é um dos pontos que podem alimentar questionamentos jurídicos e políticos.











