O governo dos Estados Unidos confirmou nesta segunda-feira (20) a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de julho e afeta US$ 14 bilhões em exportações.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e atinge principalmente o estado de São Paulo, que concentra 41,6% do impacto, segundo estimativas do setor exportador. Apesar do golpe, o governo brasileiro vê na medida um impulso para acelerar a diversificação de mercados, com foco na Europa.
O Planalto já sinalizou que acionará a Lei de Reciprocidade, aprovada em 2025 após um tarifaço anterior de 50% que foi revogado. A imposição da tarifa já era esperada desde junho, quando o USTR concluiu investigação baseada na Seção 301 da lei de comércio dos EUA, como o PIRANOT antecipou. Na ocasião, o presidente Lula reagiu com dureza, chamando o secretário de Estado Marco Rubio de ‘latino-americano frustrado’, conforme noticiado pelo portal.
Escalada tarifária e reação brasileira
As tensões comerciais entre os dois países escalaram em julho de 2025, quando o então presidente Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi revogada após negociações bilaterais que resultaram na criação da Lei de Reciprocidade pelo Congresso brasileiro, instrumento que permite retaliação proporcional a barreiras comerciais unilaterais.
Em 1º de junho de 2026, o USTR concluiu uma investigação que recomendava a tarifa de 25% com base na Seção 301, que autoriza sanções contra práticas consideradas desleais. A confirmação nesta segunda-feira (20) elimina a incerteza e coloca o Brasil diante do maior obstáculo comercial com os EUA desde a crise de 2020.
O impacto de US$ 14 bilhões equivale a cerca de 5% das exportações brasileiras totais para o mercado americano em 2025. São Paulo, principal polo industrial e agrícola do país, responde por 41,6% desse montante, o que pressiona o governo estadual a buscar alternativas imediatas.
Próximos passos e lacunas diplomáticas
O governo brasileiro prepara a ativação da Lei de Reciprocidade, mas ainda não detalhou quais produtos americanos serão sobretaxados. A expectativa é que o anúncio ocorra nos próximos dias, após consultas ao setor produtivo.
Paralelamente, a estratégia de diversificação mira a União Europeia e a Ásia. O Itamaraty mantém conversas com autoridades europeias para ampliar o acesso de manufaturados e commodities brasileiras, mas as negociações não foram detalhadas. Especialistas alertam que a capacidade de absorção do mercado europeu no curto prazo é limitada, o que torna a retaliação comercial um instrumento central.
A indefinição sobre o alcance das medidas de reciprocidade e o ritmo das conversas com a Europa mantém o setor exportador em alerta. “O fundamental agora é garantir que a resposta brasileira seja rápida e eficaz, sem prejudicar outros fluxos comerciais”, afirmou uma fonte do setor, que pediu anonimato.
Enquanto isso, a tarifa de 25% entra em vigor na próxima quarta-feira (22), e os embarques já contratados podem sofrer readequações de última hora.










