O governo dos Estados Unidos concedeu nesta segunda-feira (20) o visto de residência permanente (green card) ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país desde o início de 2025. A concessão ocorre um mês após o Supremo Tribunal Federal (STF) condená-lo a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no processo da tentativa de golpe de Estado.
O documento permite que Eduardo resida, trabalhe e estude nos EUA por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais. A mudança de status migratório, porém, adiciona uma camada de complexidade à execução da pena imposta pela Justiça brasileira, já que processos de extradição podem se tornar mais demorados quando o alvo possui residência legal em outro país.
O pedido de green card tramitava há mais de um ano, segundo aliados do ex-parlamentar, e foi aprovado pelo governo de Donald Trump. Até a publicação, não havia confirmação oficial do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) nem do Departamento de Estado americano. A defesa de Eduardo Bolsonaro não informou se a condenação criminal foi declarada no formulário consular.
Condenação no STF e o processo migratório
Eduardo Bolsonaro fixou residência nos Estados Unidos no início de 2025, inicialmente com visto de turista. Em 16 de junho de 2026, o STF o condenou a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, por coação no curso do processo que apura a tentativa de golpe de Estado. A acusação apontou que ele articulou sanções contra autoridades brasileiras junto ao governo americano.
A tramitação do green card, contudo, é anterior à condenação. Aliados afirmam que o processo foi iniciado há mais de um ano, e a aprovação final ocorreu agora. O STF não se manifestou sobre o impacto da nova condição migratória na execução da pena. A defesa do ex-deputado também não esclareceu se a condenação foi comunicada às autoridades de imigração dos EUA — omissão que pode gerar questionamentos futuros em caso de renovação do visto ou pedido de cidadania.
Reação e contexto político
A concessão do green card se dá em meio a crescentes tensões entre o governo brasileiro e a administração Trump. No início de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “imbecil” durante reunião ministerial, após os EUA imporem tarifas a produtos brasileiros. A relação entre a família Bolsonaro e o governo Trump, porém, segue estreita: em maio, Flávio Bolsonaro se reuniu com autoridades americanas para discutir a classificação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas.
Aliados de Eduardo comemoraram a decisão. O influenciador Paulo Figueiredo, próximo ao ex-deputado, afirmou que o green card é uma “conquista pessoal” e que o processo “tramitava há muito tempo”. O Itamaraty não havia se pronunciado até a publicação desta reportagem. O Partido Liberal (PL), legenda de Eduardo, também não emitiu nota.
Próximos passos e lacunas
A obtenção do green card não anula a condenação no Brasil nem impede automaticamente um pedido de extradição. Os EUA podem negar a extradição para crimes considerados políticos, mas a coação é tipificada como crime comum. Ainda assim, a residência permanente pode alongar o trâmite de um eventual processo de cooperação jurídica internacional.
Permanecem em aberto questões centrais: o STF não foi notificado formalmente sobre a mudança de status migratório, e não se sabe se a defesa informou a condenação no formulário consular. A categoria exata do visto concedido também não foi divulgada. Sem esses esclarecimentos, o caso deve alimentar o debate político, mas o desfecho jurídico dependerá de decisões futuras da Justiça brasileira e da cooperação com as autoridades americanas.











