O diretório do Republicanos em Pernambuco anunciou nesta sexta-feira (10) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do estado, em um movimento que confronta a articulação da cúpula nacional da legenda por uma composição com o PL de Flávio Bolsonaro.
A decisão foi comunicada em nota assinada pelo deputado federal Silvio Costa Filho, presidente do partido em Pernambuco e ex-ministro de Portos e Aeroportos do governo Lula. No texto divulgado nas redes sociais, ele afirma que o diretório estadual manterá o alinhamento com o petista mesmo que a direção nacional escolha outro caminho. “Em Pernambuco, como sempre fizemos, estaremos votando no presidente Lula”, diz a nota.
O anúncio transforma uma divergência interna em fato político público. De um lado, a Executiva Nacional discute uma aproximação com o PL para 2026; de outro, uma ala do partido no Nordeste tenta preservar alianças locais com Lula e com forças que hoje comandam máquinas eleitorais relevantes na região. Em Pernambuco, esse arranjo passa pelo PSB de João Campos, nome central da disputa estadual.
Partido tenta conciliar Planalto, PL e palanques estaduais
O Republicanos chega à eleição dividido entre três linhas de atuação: a manutenção de pontes com o governo Lula, a defesa de uma posição independente e a construção de uma frente de oposição ao lado do PL. A escolha pernambucana pressiona essa equação porque parte de um estado em que a associação ao presidente pode ser eleitoralmente vantajosa para candidaturas locais.
Silvio Costa Filho é peça importante nessa disputa. Além de comandar o partido em Pernambuco, ele integrou o primeiro escalão de Lula e deixou o Ministério de Portos e Aeroportos em 31 de março para retomar o mandato na Câmara. A nota do diretório estadual preserva sua ligação com o Planalto e amarra o Republicanos local ao projeto de João Campos.
A movimentação também evidencia o limite da disciplina partidária em uma eleição nacional polarizada. Embora a direção nacional concentre poder sobre convenções e alianças, diretórios estaduais costumam medir o custo eleitoral de seguir uma orientação definida em Brasília. No Nordeste, onde Lula mantém capital político, a adesão automática a uma chapa de oposição pode atingir candidaturas proporcionais e majoritárias.
Cúpula pode reagir, mas decisão já pesa na negociação
A direção nacional do Republicanos ainda pode tentar enquadrar a posição pernambucana se fechar uma aliança formal com o PL. Na prática, porém, o gesto de Silvio Costa Filho eleva o custo político de uma decisão única para todos os estados e dá a Lula um sinal público de apoio dentro de uma legenda que também abriga aliados do bolsonarismo.
Para João Campos, o apoio reforça a tentativa de montar uma frente ampla em Pernambuco. Para Lula, preserva um palanque em um estado estratégico do Nordeste e mostra que a negociação nacional do Republicanos com o PL não resolve, sozinha, o comportamento da sigla nos estados.
O próximo teste será a definição da Executiva Nacional antes das convenções partidárias. Se a cúpula insistir em uma composição com Flávio Bolsonaro, terá de decidir se tolera palanques regionais pró-Lula ou se tenta impor uma linha nacional ao diretório pernambucano.









