A Comissão Europeia aprovou nesta sexta-feira (10) a aquisição da Chart Industries pela Baker Hughes, transação avaliada em US$ 14 bilhões, mas impôs a venda de parte dos ativos da empresa comprada como condição para o aval antitruste.
O anúncio foi feito pelas autoridades de concorrência do bloco europeu, que não detalharam quais divisões da Chart Industries terão de ser desinvestidas. A operação, uma das maiores do setor de energia neste ano, ainda precisa ser aprovada em outras jurisdições, como os Estados Unidos, para ser concluída.
A decisão desta sexta-feira mantém a fusão em andamento, mas adiciona incerteza sobre o formato final do negócio. A Comissão Europeia justificou a exigência como necessária para preservar a concorrência no mercado de equipamentos para gás natural liquefeito (GNL), no qual ambas as empresas são protagonistas globais.
A falta de detalhes sobre os ativos a serem vendidos gerou cautela entre investidores, que aguardam a divulgação do plano de desinvestimento para avaliar o impacto financeiro da operação. As ações da Baker Hughes fecharam em leve alta nesta sexta-feira, mas analistas alertam que o processo pode se arrastar.
A consolidação no setor de GNL
A Baker Hughes, gigante de serviços petrolíferos, vem ampliando sua atuação em soluções de transição energética e infraestrutura de GNL. A Chart Industries é uma das principais fornecedoras mundiais de equipamentos criogênicos, usados no resfriamento e transporte de gás natural. A aquisição, anunciada originalmente em 2025, é vista como um movimento estratégico para integrar a cadeia de fornecimento e atender à crescente demanda global por GNL.
O mercado de GNL deve crescer nos próximos anos, impulsionado pela substituição de combustíveis mais poluentes e pela expansão da capacidade de exportação de países como Estados Unidos e Catar. A fusão, no entanto, levantou preocupações de que a concentração de mercado poderia reduzir a concorrência e elevar preços para os consumidores industriais.
Efeitos para o mercado brasileiro
No Brasil, a Baker Hughes tem contratos relevantes com a Petrobras, fornecendo serviços de manutenção e construção de poços. A integração com a Chart Industries pode facilitar o acesso a tecnologias de liquefação e regaseificação, importantes para os projetos de escoamento de gás do pré-sal e para os terminais de GNL que o país planeja expandir.
A operação se insere em um contexto de grandes fusões que passam pelo crivo de órgãos antitruste. Na véspera, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra de 60% da Evolve pela Smart Fit, também com exigências de desinvestimento (leia mais). A decisão europeia sinaliza que reguladores estão atentos à concentração em setores estratégicos.
Próximas etapas regulatórias
Além da União Europeia, a fusão precisa ser aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e por autoridades de defesa da concorrência em países asiáticos, onde a Chart Industries também tem operações. As empresas não divulgaram um cronograma para a conclusão da transação, mas analistas estimam que o processo pode levar de seis a doze meses.
A Baker Hughes afirmou, em comunicado, que continua comprometida com a aquisição e trabalha para atender a todas as condições regulatórias. A expectativa é que os desinvestimentos exigidos pela Comissão Europeia sirvam de modelo para as negociações com outros reguladores, mas o risco de atrasos ou exigências adicionais permanece. A empresa também precisará obter aval do Cade caso a operação gere concentração no mercado brasileiro, embora a Chart Industries tenha atuação limitada no país.










