O técnico Hong Myung-bo deixou o comando da seleção da Coreia do Sul no domingo (28), um dia após a eliminação precoce na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A decisão ocorre em meio a forte pressão política: o presidente Lee Jae-myung classificou publicamente o resultado como inaceitável e exigiu investigação oficial sobre as causas do fracasso.
A Coreia do Sul terminou na terceira posição do Grupo A, com duas derrotas — para o México (1 a 0) e para a África do Sul (1 a 0) — e uma vitória sobre o Canadá. A derrota para os sul-africanos, que garantiu a eles uma inédita classificação ao mata-mata, reverberou amplamente no país e precipitou a crise em torno do treinador.
A Federação de Futebol da Coreia do Sul (KFA) não publicou comunicado oficial sobre a saída do técnico e não indicou quem assumirá interinamente o cargo. O governo articula, nesse intervalo, os termos da investigação determinada pelo presidente.
Pressão política e o peso da história
Lee Jae-myung não poupou críticas. Em declaração no domingo (28), o presidente chamou o desempenho da seleção de “vergonhoso” e determinou que o Ministério do Esporte conduza uma análise detalhada para identificar responsabilidades. A pressão direta do Palácio Presidencial sobre a entidade acelerou a saída do treinador.
Hong Myung-bo, 57 anos, é um dos maiores ídolos do futebol sul-coreano — foi capitão da seleção numa histórica campanha que levou o país às semifinais de uma Copa do Mundo. Sua nomeação para o cargo em 2024 foi recebida como aposta na experiência e na liderança, mas a eliminação precoce neste Mundial frustrou as expectativas de um país que esperava ao menos avançar às oitavas de final.
O que vem a seguir
A investigação ordenada pelo presidente deverá avaliar desde a preparação física e tática da equipe até a gestão do grupo durante a competição. A KFA ainda não confirmou se colaborará com o processo governamental ou conduzirá sindicância própria — e a escolha do próximo técnico permanece em aberto.
O caso coreano não é isolado: a federação saudita também passou por convulsão interna após eliminação no mesmo torneio. Para a Coreia do Sul, o fracasso expõe o abismo entre o investimento recente no futebol local e o resultado em campo — e anuncia um debate longo sobre os rumos da seleção.











