segunda-feira, junho 29
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Agronegócio

Plano Safra 2026/27 bate recorde de R$ 620 bi, mas aperto fiscal limita subsídio de juros

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O evento terá cerimônias separadas no Planalto, com a agricultura familiar à tarde sob a presidência de Alckmin, já que Lula está no Mercosul
  • O montante anunciado de R$ 620 bilhões ainda depende de publicação oficial e supera em 4,3% os R$ 594,4 bilhões do ciclo anterior
  • Análises privadas estimam demanda anual de crédito rural entre R$ 1,2 trilhão e R$ 1,3 trilhão, o que indica cobertura de até 51,7% das necessidades
  • Produtores pressionam por taxas inferiores a 5% ao ano, mas a Selic em 10,5% restringe

O governo federal lança nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27 com volume de R$ 620 bilhões em crédito rural — o maior da história do programa. A cerimônia da agricultura empresarial começa às 10h no Palácio do Planalto; a da agricultura familiar ocorre às 17h. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) presidirá os dois eventos, já que o presidente Lula cumpre agenda na cúpula do Mercosul.

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O volume supera em 4,3% os R$ 594,4 bilhões do ciclo 2025/26, que contemplou R$ 78,2 bilhões para a agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para o Pronamp, R$ 258,6 bilhões para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões em CPRs com recursos obrigatórios. A expansão vem acompanhada de sinal de alívio nas taxas: parte das linhas terá juros menores — mas o alcance da medida esbarra nas restrições impostas pelo arcabouço fiscal.

A demanda do setor, estimada em até R$ 1,3 trilhão por análises privadas, revela a distância entre o recorde nominal e a necessidade real do campo. O plano cobre entre 47,7% e 51,7% dessa demanda — proporção que se mantém praticamente estável em relação ao ciclo anterior, apesar do aumento nominal de R$ 25,6 bilhões.

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Aperto fiscal limita queda de juros

A grande disputa de bastidores é pelo mecanismo de equalização das taxas. O instrumento permite ao Tesouro cobrir a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados do produtor rural — mas com a Selic em 10,5% ao ano, o custo do subsídio cresce na mesma proporção. O arcabouço fiscal impõe teto ao gasto com equalização, e é aí que o governo encontra seu principal limite para atender às cobranças do setor.

Produtores e entidades do agronegócio pressionam por taxas abaixo de 5% ao ano nas principais linhas de custeio e investimento. O governo sinaliza redução em parte do portfólio, sem estender o benefício a todos os segmentos. O endividamento rural acumulado nos últimos ciclos agrava o cenário: agricultores com dívidas em aberto têm acesso restrito a novas linhas, o que estreita ainda mais o alcance real do plano além dos números do lançamento.

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O que muda para o produtor

As taxas exatas por linha de crédito, os limites por produtor e as regras de seguro rural serão publicados no Diário Oficial após as cerimônias desta terça. O impacto chega diretamente aos custos de produção agropecuária — e, por extensão, ao preço dos alimentos. Cadeias como grãos, cana-de-açúcar e pecuária dependem das condições de custeio definidas agora para fechar os orçamentos da safra que começa no segundo semestre.

O detalhamento completo — divisão entre agricultura empresarial e familiar, limites operacionais e encargos por modalidade — determinará o tamanho real do benefício além dos R$ 620 bilhões anunciados. As cerimônias desta terça abrem o período de habilitação dos produtores nas linhas de crédito do novo ciclo.


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