O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,50% em junho, registrando a primeira deflação mensal de 2026, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) nesta segunda-feira (29). O resultado reverte a alta de 0,84% de maio e veio em linha com as expectativas de mercado, cuja mediana apontava recuo de 0,47%.
Apesar do recuo mensal, o índice acumula alta de 3,16% nos últimos 12 meses. Em junho de 2025, o IGP-M havia caído 1,67% no mês e acumulava 4,39% em 12 meses. A pressão inflacionária medida pelo índice é menor do que há um ano — mas ainda positiva, o que significa que aluguéis e contratos indexados ao IGP-M continuarão sendo reajustados para cima.
O que derrubou o índice em junho
A deflação mensal foi puxada pelo recuo nos preços do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-M, recuou 0,97% em junho, impulsionado pela queda nos preços de commodities, com destaque para o petróleo. Foi a segunda queda consecutiva do IPA, sinalizando uma trajetória de descompressão ao longo da cadeia produtiva.
Os demais componentes se moveram na direção oposta. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,29% em junho, ante 0,15% em maio, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,52%, contra 0,45% no mês anterior. A aceleração nesses dois segmentos amenizou, mas não impediu, o resultado negativo do índice cheio.
Impacto nos contratos e no bolso
Para quem tem contrato de aluguel indexado ao IGP-M, o reajuste é calculado com base na variação acumulada em 12 meses até o mês de vencimento. Com o acumulado em 3,16% até junho — bem abaixo dos 4,39% registrados no mesmo período de 2025 —, os reajustes serão menores do que os aplicados no ano passado, mas ainda positivos. A data-base de cada contrato define o percentual exato aplicado.
O movimento acompanha a desaceleração observada em outros indicadores de inflação. O IPCA-15 recuou para 0,41% em junho, mas o acumulado em 12 meses permanece em 4,80%, acima do teto da meta. O Banco Central monitora ambos os índices, embora o IPCA seja o oficial para o regime de metas.
A FGV Ibre não sinalizou se o recuo de junho é pontual ou o início de uma tendência mais duradoura. O mercado aguarda a prévia do IGP-M de julho para avaliar se a desaceleração das commodities continuará pressionando o atacado para baixo — e, consequentemente, se os contratos reajustados pelo índice terão alívio adicional ao longo do segundo semestre.











