Bain Capital e Advent International passam a mirar o controle acionário da Amil e colocam sobre a mesa uma avaliação de R$ 17 bilhões para uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil. A virada nas negociações — que na véspera apontavam apenas para uma participação relevante na empresa — eleva a dimensão do negócio e acirra a disputa pelo comando da operadora controlada por José Seripieri Filho, o Júnior, desde que a 3G Capital e a Petrobras deixaram o negócio, em 2023.
A avaliação preliminar de R$ 17 bilhões implica um múltiplo de aproximadamente 10 vezes o Ebitda da companhia — patamar que analistas do setor financeiro consideram agressivo, mas compatível com o porte da Amil e com a escassez de ativos de grande escala disponíveis para aquisição no mercado de saúde suplementar. A cifra pode ser ajustada ao longo da due diligence, em função de passivos e da estrutura societária que as gestoras decidirem adotar. Amil, Bain Capital e Advent International não comentaram o assunto.
Private equity e o apetite por saúde no Brasil
Bain Capital e Advent International estão entre as maiores gestoras de private equity do mundo, com histórico de apostas no setor de saúde em diferentes mercados. Juntas, as duas casas precisam ainda definir a estrutura do investimento — se comprarão 100% da Amil ou uma fatia majoritária — e como dividirão o aporte entre si. A eventual concretização seria um dos maiores negócios do setor de saúde suplementar brasileiro em anos, em um momento em que fusões e aquisições ganham tração no país: em junho, o PIRANOT noticiou a aproximação da AbbVie para compra da Apogee por US$ 11 bilhões.
Regulação e barreiras para fechar o negócio
Qualquer mudança de controle da Amil depende de aprovação prévia da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que fiscaliza solvência, rede de atendimento e cumprimento de contratos pelas operadoras. A operação também poderá passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), especialmente se os compradores já tiverem participações em outros players do setor — hipótese que pode impor restrições ou condicionamentos à venda. Até o momento, não há pedido formal protocolado em nenhum dos dois órgãos.
O que muda para beneficiários e para o setor
Sob controle de gestoras com foco em eficiência operacional e rentabilidade, a Amil pode passar por revisões na rede hospitalar credenciada, na política de reajustes e no portfólio de planos. Para os beneficiários, os impactos dependerão das decisões estratégicas dos novos controladores — e de eventuais compromissos exigidos pela ANS como condição para a aprovação da transação.
Para o setor, a operação sinaliza o apetite crescente do capital privado por ativos de saúde no Brasil e tende a pressionar o valuation de outras operadoras, acelerando a consolidação de um segmento que já vinha se redesenhando nos últimos anos. Os próximos passos dependem do avanço da due diligence e da aprovação interna nos comitês das duas gestoras — antes que a transação possa ser submetida à ANS e, se necessário, ao Cade.











