O bitcoin voltou a operar abaixo de US$ 60 mil nesta segunda-feira (29), pressionado pela saída consecutiva de capital dos fundos negociados em bolsa (ETFs) à vista nos Estados Unidos e pela cautela dos investidores diante da decisão de política monetária do Federal Reserve, prevista para esta terça-feira (30).
Os ETFs spot de bitcoin registraram saída líquida de US$ 444,5 milhões na sexta-feira (26) — o sétimo pregão consecutivo de fluxo negativo, segundo dados da Farside Investors. O resultado consolida uma sequência de resgates que evidencia o arrefecimento do interesse institucional na criptomoeda e eleva a pressão vendedora sobre o ativo.
A pressão se intensificou num contexto em que o bitcoin acumula perda superior a 50% desde a máxima histórica de US$ 126 mil, atingida em meados de 2025. Segundo análise da Bitfinex, o custo médio de aquisição dos investidores está em US$ 77 mil — o que coloca a maioria das posições no vermelho e alimenta a disposição para limitar a exposição ao ativo.
Sete sessões no negativo: suporte em US$ 53 mil se torna o alvo
O fluxo negativo persistente nos ETFs é um termômetro da confiança institucional — e o sinal atual não é favorável. De acordo com a Bitfinex, caso o suporte de US$ 53.400 não se sustente, o bitcoin pode testar a faixa dos US$ 40 mil no último trimestre de 2026, o que representaria uma desvalorização adicional de 33% sobre o nível atual.
“O mercado está precificando um ambiente de juros mais altos por mais tempo, e a incerteza geopolítica amplifica a aversão ao risco”, afirma a equipe de análise da Bitfinex. A mesma nota ressalva que a baixa liquidez de fim de mês pode ampliar as oscilações diárias sem que isso configure uma tendência de médio prazo.
Geopolítica e Fed travam qualquer tentativa de recuperação
As tensões no Oriente Médio reforçam o movimento defensivo dos investidores, que direcionam capital a ativos de menor risco enquanto aguardam os desdobramentos geopolíticos. O cenário externo adverso soma-se à política monetária restritiva nos Estados Unidos, que mantém o custo de capital elevado e comprime o apetite por ativos sem rendimento fixo.
A decisão do Fed, amanhã (30), é o evento que deve definir o tom do mercado nas próximas semanas. A expectativa majoritária dos analistas é de manutenção dos juros no patamar atual. Se confirmada, a sinalização de “juros altos por mais tempo” tende a prolongar a pressão sobre o bitcoin, que opera no limiar psicológico de US$ 60 mil sem catalisador claro para um rali de recuperação. O comportamento dos ETFs nesta terça-feira — especialmente se o fluxo negativo se inverter — será o indicador imediato do humor do mercado institucional.











