A arroba do boi gordo deve superar R$ 360 no último trimestre de 2026, segundo projeções de analistas do setor pecuário. A expectativa contrasta com o recuo registrado em junho, quando a cotação caiu 2,63% e o indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 340,50 — reflexo direto do esgotamento da cota anual de importações da China.
A alta projetada se apoia em três pilares: oferta enxuta de bois para abate, retomada das compras chinesas com a abertura de um novo ciclo de importações e demanda firme dos Estados Unidos. Analistas da Scot Consultoria e de outras consultorias do setor apontam que a combinação deve pressionar as cotações especialmente nas praças paulistas e mato-grossenses, que balizam o indicador nacional.
O mercado ainda carrega a memória recente de um ciclo de baixa. Em Mato Grosso do Sul, a arroba chegou a R$ 208 em junho de 2024, depois de uma queda de 10,4% em 12 meses — patamar que, desde então, se recuperou gradualmente. Em junho deste ano, o PIRANOT registrou que a arroba atingiu R$ 360 em negócios pontuais no interior paulista, sem se sustentar como piso de mercado (leia aqui).
Fatores que sustentam a projeção de R$ 360
A retomada das exportações para a China deve se intensificar entre agosto e setembro, quando um novo período de importações for aberto. O prazo logístico de até 60 dias entre o embarque e a chegada ao destino coloca o pico da demanda exatamente no último trimestre — pressionando as cotações no momento em que a oferta interna segue enxuta. Os estoques globais de carne bovina estão nos menores níveis em 20 anos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citados em análises do setor, o que reforça a tese de preços mais altos à frente.
A política chinesa de importações limita o volume permitido e aplica sobretaxas sobre compras excedentes ao teto, concentrando a demanda no período regulado e inibindo aquisições fora dele. Para especialistas do mercado, a combinação de oferta enxuta com demanda externa firme deve empurrar as cotações para R$ 360 por arroba ou mais, especialmente nas praças de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A queda de junho e o esgotamento da cota chinesa
No curto prazo, o mercado sente o peso do limite de importações atingido pela China. Com a cota anual praticamente esgotada, os importadores chineses reduziram o ritmo de compras — e a pressão chegou aos preços domésticos. O indicador Cepea/Esalq recuou 2,63% na parcial de junho, para R$ 340,50. Em Mato Grosso do Sul, a intensidade da queda no ciclo anterior ilustra a sensibilidade do mercado ao mesmo movimento: a arroba caiu 10,4% em 12 meses até junho de 2024, chegando a R$ 208.
A projeção de alta para o fim do ano não elimina a volatilidade imediata. No varejo, o consumidor final ainda não sente repasse — a expectativa é de que eventuais altas só cheguem às gôndolas em outubro ou novembro, caso o cenário externo se confirme.
O fim de julho marca o próximo ponto de inflexão: é quando se espera a definição do novo período de importações chinesas, o principal gatilho para a retomada das compras e, consequentemente, para o movimento das cotações no segundo semestre.









