A União transferiu fatias acionárias do Banco do Nordeste (BNB) e do Banco da Amazônia (Basa) para a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), reforçando o capital social da agência em R$ 3,5 bilhões. A operação, autorizada pelo Decreto 12.912/2026, foi concretizada neste domingo (28) e permite ao Tesouro Nacional integralizar capital da Finep com ações de bancos públicos excedentes ao mínimo necessário para manutenção do controle acionário da União.
A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é a principal financiadora federal de projetos de pesquisa e desenvolvimento do país. O aumento de capital amplia sua base patrimonial e, por extensão, sua capacidade de oferecer crédito de longo prazo a empresas, universidades e instituições científicas em áreas estratégicas.
Operação troca ativos por capital sem desembolso de caixa
O aporte não envolve desembolso direto de dinheiro do Tesouro. Em vez disso, a União utiliza participações que já detinha em bancos públicos — acima do mínimo exigido para manter o controle acionário — para compor o capital da Finep. A operação tinha sido anunciada em março e agora ganha execução por meio do decreto publicado no Diário Oficial.
Para o Orçamento público, a diferença é relevante: a transferência de ativos não configura despesa primária em dinheiro, mas implica custo de oportunidade, já que a União abre mão de participações acionárias que poderiam ser destinadas a outras finalidades. O impacto fiscal efetivo dependerá de como a Finep administrará os papéis recebidos — se os manterá em carteira, negociará no mercado ou os usará como lastro para novas linhas de financiamento.
Capacidade de fomento à inovação ganha fôlego
O reforço chega em momento de crescente demanda por recursos destinados à inovação tecnológica. A Finep opera com instrumentos como financiamentos reembolsáveis e não reembolsáveis, subvenções econômicas e apoio a empresas de base tecnológica. Com capital ampliado, a agência ganha margem para expandir o volume de operações e diversificar instrumentos de fomento.
O decreto não detalha a divisão do aporte entre BNB e Basa nem o cronograma de entrada das ações no patrimônio da Finep. A definição sobre como o novo capital será alocado em editais, taxas e linhas específicas cabe ao Conselho de Administração da agência, que deverá deliberar nos próximos meses sobre a estratégia de uso dos ativos recebidos.











