O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de votar em 43% das votações nominais do Senado analisadas até o dia 22 de junho — o equivalente a 21 de 49 matérias. O índice coloca o pré-candidato à Presidência como o quinto parlamentar com maior taxa de ausência no recorte, empatado com outros quatro senadores.
Desde dezembro, quando foi escolhido pré-candidato a presidente pelo PL, Flávio passou a concentrar a agenda em compromissos de pré-campanha. As votações nominais — aquelas em que cada senador registra voto individual no painel eletrônico — são os momentos de maior exposição pública do mandato, pois permitem que eleitores e adversários verifiquem a posição de cada parlamentar em cada matéria deliberada em plenário.
Comissão de Segurança tem baixa atividade sob seu comando
O distanciamento de Flávio do trabalho legislativo se reflete também na Comissão de Segurança Pública do Senado, que ele comanda desde o início de 2025. O colegiado se reuniu sete vezes neste ano, sem aprovação de nenhuma iniciativa de destaque. Das reuniões realizadas em 2026, Flávio esteve presente em apenas uma.
A segurança pública foi escolhida pelo senador como tema prioritário de sua pré-campanha. Em meados de junho, ele apresentou um pacote que propõe reduzir a maioridade penal para 14 anos. O contraste entre a ênfase no tema na campanha e a baixa produtividade na comissão que preside chama atenção de aliados e adversários no Congresso.
Outras comissões do Senado tiveram agenda mais intensa
Em comparação, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados se reuniu 23 vezes neste ano — mais do que o triplo da equivalente no Senado. Outras comissões da Casa também superaram a atividade do colegiado comandado por Flávio: a de Direitos Humanos, presidida pela bolsonarista Damares Alves (Republicanos-DF), realizou 22 encontros; a de Assuntos Econômicos, 16.
O padrão de ausências ganha peso político no contexto eleitoral de 2026. Flávio enfrenta divisões internas no PL, com atritos reportados entre ele e Michelle Bolsonaro, e tenta se projetar como alternativa de oposição ao governo Lula, que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto. O desempenho legislativo frágil dá munição a adversários para questionar sua capacidade de articulação institucional — justamente num momento em que o senador precisa demonstrar força política para sustentar a candidatura presidencial.











