sexta-feira, junho 26
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Economia

Déficit externo de US$ 3,185 bi em maio fica abaixo do esperado, mas pressão persiste

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Resultado veio melhor que projeção de mercado, que apontava rombo de US$ 4,2 bilhões
  • Saldo em 12 meses recuou de 2,66% para 2,60% do PIB, segundo o Banco Central
  • Balança comercial teve superávit de US$ 6,951 bilhões no mês
  • Serviços e renda primária somaram déficits que impediram saldo positivo da conta corrente

O Brasil registrou déficit de US$ 3,185 bilhões em conta corrente em maio, resultado melhor que as projeções de mercado. O dado, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (26), traz alívio no curto prazo, mas não afasta a pressão sobre o financiamento externo do país.

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A mediana das estimativas de mercado apontava rombo de US$ 4,200 bilhões para o mês, com projeções variando entre US$ 3,500 bilhões e US$ 6,600 bilhões negativos. O resultado efetivo veio, portanto, menos negativo que o centro das apostas.

A conta corrente reúne as transações do Brasil com o exterior — comércio de bens, serviços, renda primária e transferências. O saldo acumulado em 12 meses chegou a US$ 64,148 bilhões, equivalente a 2,60% do Produto Interno Bruto, abaixo dos 2,66% registrados em abril, mas ainda acima da projeção do Banco Central de US$ 56 bilhões para todo o ano de 2026.

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Superávit comercial ameniza o rombo, mas serviços e renda pesam

O resultado de maio nasceu de movimentos opostos dentro do balanço de pagamentos. A balança comercial registrou superávit de US$ 6,951 bilhões, puxado pelas exportações. Esse desempenho, porém, foi parcialmente neutralizado por déficits em outros componentes da conta corrente.

A conta de serviços fechou negativa em US$ 5,162 bilhões, reflexo de gastos com turismo e fretes internacionais. A renda primária — que inclui remessas de lucros, dividendos e juros para o exterior — somou déficit de US$ 5,542 bilhões. A combinação explica por que o superávit comercial não foi suficiente para levar a conta corrente ao terreno positivo.

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No acumulado de janeiro a maio, o déficit em conta corrente chegou a US$ 25,093 bilhões. Em abril, o rombo mensal havia sido de US$ 1,765 bilhão.

Investimento estrangeiro cobre o mês, mas sustentabilidade é a questão

O investimento direto no país somou US$ 7,974 bilhões em maio, acima da projeção de US$ 5,75 bilhões e suficiente para cobrir o déficit de US$ 3,185 bilhões da conta corrente no mês. Essa relação é acompanhada de perto por investidores: ela indica a capacidade de o Brasil financiar o rombo externo com capital de prazo mais longo, menos volátil que investimentos de portfólio.

Ainda assim, a leitura de vulnerabilidade não se resume ao recorte mensal. O que pesa na avaliação de risco-país é a continuidade desses ingressos ao longo do ano e o comportamento do câmbio, que responde às oscilações do fluxo externo.

Para empresas e consumidores, o efeito é indireto, mas real. Um déficit externo persistente pode elevar o custo de captação em moeda estrangeira, pressionar a taxa de câmbio e encarecer importações de insumos industriais. O dado compõe o quadro macroeconômico que o mercado acompanha junto com juros, câmbio e contas públicas — e ganha relevância em um cenário em que o governo já precisou bloquear R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026 para conter o gasto público.

Próximos meses definirão se trajetória anual será cumprida

A projeção do Banco Central para o déficit em conta corrente de 2026 é de US$ 56 bilhões. O resultado de maio ajuda no curto prazo, mas, isoladamente, não permite concluir que a trajetória anual ficará menos pressionada — sobretudo porque o acumulado em 12 meses já supera o ritmo necessário para fechar o ano dentro da meta.

O indicador mais confiável para a comparação de longo prazo segue sendo a fatia de 2,60% do PIB divulgada para maio. As próximas divulgações mensais do balanço de pagamentos vão determinar se o país consegue reduzir essa proporção ao longo do segundo semestre ou se a necessidade de financiamento externo continuará acima do projetado pela autoridade monetária.


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