Bolsas globais operam pressionadas por ações de tecnologia nesta sexta-feira (26), enquanto o mercado brasileiro amplia apostas de corte da Selic após o IPCA-15 de junho vir abaixo do esperado.
O Banco Central reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual em 17 de junho, para 14,25% ao ano. A decisão manteve os juros em patamar elevado, mas abriu espaço para nova leitura do mercado depois que o IPCA-15 de junho desacelerou a 0,41% — com inflação de 12 meses em 4,80%.
Nos contratos de juros futuros, o movimento foi de queda na quinta-feira (25). O DI para janeiro de 2027 recuou de 14,13% para 14,09%, e o DI para janeiro de 2029 caiu de 14,38% para 14,33%. O mercado passou a precificar um corte adicional na reunião de agosto do Copom.
A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na terça-feira (23), avaliou cenários de pausa e retomada de cortes para levar a inflação à meta, mas não cravou a próxima decisão — o que limita a leitura de que agosto já esteja definido.
Selic a 14,25% mantém prêmio alto na renda fixa
A Selic de 14,25% ao ano segue como referência para títulos públicos, aplicações pós-fixadas, crédito bancário e custo de capital das empresas. Mesmo com a redução de 0,25 ponto, a taxa permanece em nível elevado.
A mudança relevante desta semana não foi a taxa atual, mas a curva de expectativas. O IPCA-15 mais fraco levou parte do mercado a ajustar preços para um corte em agosto, porque inflação menor reduz a pressão sobre o Banco Central para manter juros parados por mais tempo.
Pressão em tecnologia pesa no exterior e limita apetite por risco
A pressão sobre empresas de tecnologia nas bolsas globais entra no radar brasileiro porque esses papéis têm grande peso nos índices dos Estados Unidos e da Europa. Quando o setor perde força, investidores tendem a reduzir exposição a ativos de risco, inclusive em mercados emergentes.
Na semana, a Apple registrou o pior dia em 12 meses na bolsa e encareceu MacBooks e iPads — sinal de que a volatilidade no setor já se traduz em preços ao consumidor. O efeito sobre o mercado financeiro brasileiro, porém, depende da magnitude do movimento externo e da reação do Federal Reserve.
Juros menores mexem com crédito, renda fixa e orçamento
Para o orçamento das famílias, a possível continuidade dos cortes importa porque a Selic influencia o custo do crédito. Uma taxa básica menor tende a aliviar juros de novas operações ao longo do tempo, embora o repasse dependa de bancos, risco de crédito e prazos dos contratos.
Na renda fixa, a queda dos DIs afeta a marcação a mercado de títulos prefixados e indexados à inflação. O DI de janeiro de 2027 a 14,09% e o DI de janeiro de 2029 a 14,33% indicam que o mercado ajustou preços, mas ainda trabalha com juros nominais altos.
Para empresas, juros mais baixos podem reduzir custo de financiamento e melhorar condições de rolagem de dívida. O efeito não é imediato: contratos antigos, spreads bancários e incerteza externa podem manter o crédito caro mesmo após cortes graduais.
Agosto vira foco, mas decisão depende de novos dados
O próximo ponto de atenção é a reunião de agosto do Copom, já tratada pelo mercado como possível momento de novo corte. A aposta ganhou força depois do IPCA-15, mas depende de novas leituras de inflação e da avaliação formal do Banco Central.
Até lá, a curva de juros deve seguir reagindo a indicadores de preços, câmbio, atividade econômica e ao tom do Federal Reserve. No exterior, a pressão sobre tecnologia adiciona cautela; no Brasil, o dado de inflação dá sustentação à tese de flexibilização — sem transformar expectativa em decisão.









