As chuteiras rosa viraram uma das imagens mais repetidas do início da Copa do Mundo de 2026. Em gramados dos Estados Unidos, do México e do Canadá, jogadores de seleções diferentes entraram em campo com modelos de cores muito parecidas, apesar de contratos com fabricantes concorrentes.
O movimento reúne Nike, Adidas, Puma, New Balance e Skechers, que lançaram linhas para o Mundial com variações de rosa, fúcsia e tons vibrantes. A coincidência visual chama atenção porque não se limita a uma marca nem a um elenco: aparece em atletas de ataque, defesa e goleiros, transformando o calçado em peça de destaque nas transmissões.
No empate entre Brasil e Marrocos por 1 a 1, no sábado (13), Vini Jr., autor do gol brasileiro, e Alisson estiveram entre os jogadores que usaram chuteiras na paleta rosa. A escolha reforçou a percepção de que a cor deixou de ser detalhe de uniforme e passou a funcionar como linguagem visual do torneio.
Por que as marcas escolheram o rosa
A explicação combina moda, marketing e televisão. Em campo, o rosa cria contraste forte com o verde do gramado e com boa parte dos uniformes, o que aumenta a identificação do jogador em imagens abertas, replays e cortes que circulam nas redes sociais. Para as marcas, essa visibilidade vale tanto quanto a exposição tradicional de placas e camisas.
Cada fabricante trabalha a cor com um discurso próprio. A Nike associa os tons vibrantes à ideia de confiança em grandes jogos. A Adidas explora o contraste visual. A Puma já vinha usando variações próximas do fúcsia em modelos de destaque. New Balance e Skechers também levaram a paleta ao Mundial, ampliando a sensação de que o rosa se tornou uma tendência de mercado, não uma ação isolada.
Isso não significa que as empresas tenham feito uma campanha conjunta. O que aparece na Copa é uma convergência típica de grandes ciclos de consumo: marcas concorrentes leem sinais parecidos de moda, comportamento e transmissão esportiva e chegam a soluções próximas. Em um torneio global, uma cor que aparece bem na TV, nas fotos e nos vídeos curtos ganha valor comercial imediato.
Neymar antecipou a tendência
O rosa também não surgiu do nada em 2026. Neymar usa chuteiras personalizadas da Puma nessa paleta desde 2020, o que ajudou a naturalizar a cor entre jogadores de elite antes do Mundial. Mesmo fora da estreia brasileira contra o Marrocos, o atacante faz parte do grupo de atletas que transformou o tom em opção recorrente no futebol de alto rendimento.
A aposta das fabricantes mira um efeito conhecido em Copas: o produto usado por estrelas em jogos de grande audiência costuma ganhar força nas lojas e nas buscas de torcedores. Modelos de elite vendidos no Brasil aparecem na faixa de cerca de R$ 2.300 em varejistas e canais especializados, embora as marcas não tenham divulgado projeções de venda para as versões rosa.
Por enquanto, o impacto mais claro está na imagem do torneio. A Copa de 2026 começou com uma identidade visual inesperada nos pés dos jogadores, e as próximas rodadas vão mostrar se o rosa seguirá como marca do Mundial ou se ficará concentrado na primeira leva de lançamentos das fabricantes.











