A Procuradoria-Geral da República deve rejeitar a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e enviar sua posição ao Supremo Tribunal Federal até quarta-feira (17). A manifestação será analisada pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
A tendência amplia o isolamento da tentativa de colaboração do ex-banqueiro. A Polícia Federal já havia recusado a nova proposta e comunicado a decisão ao STF, por entender que os elementos apresentados não justificavam a celebração de um acordo de colaboração premiada.
Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 1º de março de 2026. Além de decidir os próximos passos sobre a delação, Mendonça também deve avaliar o pedido da PF para transferi-lo à Penitenciária Federal de Brasília, no complexo da Papuda.
Duas negativas reduzem espaço para acordo
A segunda proposta de colaboração chegou à PGR depois de passar pelo crivo da Polícia Federal. A corporação formalizou a rejeição em 11 de junho, após examinar a nova tentativa de acordo apresentada pela defesa.
Sem aval da PF e com a Procuradoria inclinada a seguir a mesma linha, a delação perde força antes de chegar a uma decisão judicial efetiva. No rito de uma colaboração premiada, o acordo depende da atuação dos órgãos de investigação e acusação e, depois, da homologação judicial.
O conteúdo específico da segunda proposta não foi tornado público. O que pesa, neste momento, é o efeito processual da dupla resistência: se a PGR confirmar a rejeição, caberá ao Supremo definir se ainda há algum encaminhamento possível para a colaboração ou se o assunto será encerrado nessa etapa.
Supremo também decide onde Vorcaro ficará preso
A situação prisional de Vorcaro corre em paralelo à discussão sobre a delação. Ele permanece custodiado na Superintendência da PF, mas a Polícia Federal pediu ao Supremo que autorize sua transferência para uma unidade federal em Brasília.
A decisão cabe a André Mendonça. O ministro deverá considerar a posição da PGR tanto sobre a colaboração quanto sobre a permanência do ex-banqueiro na PF ou sua ida para a penitenciária federal.
Vorcaro é investigado em um caso ligado ao Banco Master e não foi condenado nesse processo. A primeira proposta de delação também havia sido recusada pela Polícia Federal, o que torna a segunda negativa um novo revés para a estratégia de colaboração.
Caso Master mantém pressão política e judicial
O caso ganhou atenção adicional por envolver uma investigação financeira de grande repercussão e por ter produzido desdobramentos políticos. Vorcaro já apareceu em episódio relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, que admitiu visita ao ex-banqueiro enquanto usava tornozeleira eletrônica.
A etapa decisiva agora está no Supremo. Se a PGR formalizar a rejeição, a segunda proposta de delação ficará sem apoio dos dois órgãos centrais da investigação. Mendonça terá, então, de definir os efeitos da negativa e decidir se Vorcaro permanece na PF ou será transferido para a penitenciária federal.











