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Economia

CNI calcula que tarifas dos EUA ameaçam 54,1% das exportações brasileiras

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Sobretaxa pode chegar a 37,5% em parte dos embarques, segundo simulação da confederação.
  • Medida depende de lista final de produtos e exceções a ser definida pelo governo americano.
  • Investigação dos EUA foi aberta sob a Seção 301, com alegação de práticas comerciais irregulares.
  • Exportações brasileiras aos EUA já caíram 18,5% em outubro de 2025.
  • Governo brasileiro ainda não havia divulgado reação oficial ao estudo.

A Confederação Nacional da Indústria calcula que novas tarifas propostas pelos Estados Unidos podem alcançar 54,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano. A estimativa dimensiona o risco para empresas que dependem dos EUA como comprador e antecipa uma disputa que pode alterar preços, margens e contratos de embarque nos próximos meses.

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Pela simulação da CNI, 35,2% das vendas brasileiras aos Estados Unidos ficariam sujeitos a uma tarifa de 25%. Outros 18,9% poderiam receber um adicional de 12,5%, o que levaria a alíquota total a até 37,5% em parte dos produtos. Na prática, mais da metade da pauta exportadora brasileira para o país entraria no raio de alcance das medidas, ainda que com impactos diferentes conforme setor, produto e eventual exceção.

O ponto sensível para a indústria é que a tarifa encarece diretamente o produto brasileiro no mercado de destino. Um item submetido à cobrança máxima chega ao comprador americano com custo tributário maior, o que pode pressionar margens, forçar renegociação de preços ou reduzir a competitividade diante de fornecedores de outros países.

Investigação comercial dos EUA mira práticas brasileiras

O processo deriva de uma investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Esse instrumento permite ao governo dos EUA investigar práticas consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano e propor retaliações tarifárias.

Em 1º de junho de 2026, o USTR propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A cobrança partiria de uma base já existente de 10% e, em parte dos casos, poderia receber acréscimo de 12,5%, formando a alíquota máxima de 37,5% usada pela CNI para medir a exposição das exportações nacionais.

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A decisão final americana está prevista para julho, depois de audiências públicas nos Estados Unidos. Até lá, a lista de produtos, a aplicação de exceções e o desenho final das tarifas ainda podem mudar. É essa definição que separa o risco hoje projetado do impacto efetivo sobre empresas, cadeias regionais e balança comercial.

Exportadores já enfrentam perda de ritmo no comércio bilateral

A ameaça tarifária chega em um momento de enfraquecimento do fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 18,5% em outubro de 2025, e o comércio bilateral recuou 14,3% em 2026, considerando vendas e compras entre os dois países.

Esse pano de fundo aumenta a pressão sobre setores que têm pouca margem para trocar rapidamente de destino. Em cadeias mais concentradas, como a da tilápia, os Estados Unidos absorvem a maior parte das vendas externas brasileiras, o que torna qualquer sobretaxa mais difícil de diluir. Produtores do interior de São Paulo e do Paraná estão entre os grupos mais expostos nesse tipo de mercado.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo também vê risco à competitividade das exportações brasileiras diante da proposta americana. O alerta reflete a preocupação de que a tarifa não atinja apenas grandes companhias exportadoras, mas também fornecedores, produtores regionais e empresas integradas às cadeias de venda para os EUA.

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Setores aguardam lista final para recalcular contratos

Para as empresas, o calendário é tão importante quanto o percentual. Contratos de exportação, definição de preços, planejamento de produção e rotas de embarque dependem de saber quais produtos entrarão na lista final e quais ficarão de fora. Uma tarifa de 25% já seria suficiente para rever negócios; a alíquota de até 37,5% tornaria a disputa por preço ainda mais dura.

A reação brasileira também será observada pelo setor privado. Uma negociação antes da decisão final poderia reduzir o alcance da medida, criar exceções ou adiar parte da cobrança. Sem acordo, exportadores terão de decidir se absorvem parte do custo, repassam preços aos compradores americanos ou procuram mercados alternativos.

Até julho, o número que orienta o mercado é o tamanho da exposição calculado pela CNI: 54,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos podem ser afetadas por algum nível de sobretaxa. A consequência prática, porém, ficará concentrada na lista final do USTR — documento que definirá quem pagará a tarifa, em qual percentual e a partir de quando.