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Economia

Flávio Bolsonaro leva Daniella Marques para formular plano econômico

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Ex-presidente da Caixa atuará na pré-campanha do PL com foco em responsabilidade social
  • Ela integrou a equipe de Paulo Guedes e era vista como auxiliar de confiança do ex-ministro
  • Pré-campanha ainda não informou contrato, remuneração, equipe completa nem propostas
  • Movimento tenta sinalizar agenda econômica a empresários e agentes do mercado financeiro

Flávio Bolsonaro confirmou nesta segunda-feira (15), em São Paulo, a entrada de Daniella Marques na equipe responsável por formular propostas econômicas de sua pré-campanha à Presidência pelo PL. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-integrante do time de Paulo Guedes, ela passa a atuar em uma das áreas mais sensíveis para a construção da candidatura: o desenho do programa econômico.

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A escolha é uma sinalização direta ao mercado financeiro e ao empresariado. Ao recorrer a um nome associado à gestão econômica do governo Jair Bolsonaro, Flávio tenta dar previsibilidade ao debate econômico de sua pré-campanha e, ao mesmo tempo, mostrar que pretende organizar uma agenda própria para 2026.

Em evento em São Paulo, o senador disse que Daniella está próxima da campanha e ajudará sobretudo na área econômica, com atenção à pauta de responsabilidade social. A formulação antecipa uma das disputas centrais do programa: combinar discurso de austeridade, cobrança por eficiência do Estado e propostas voltadas à população de menor renda.

Quem é Daniella Marques

Daniella Marques presidiu a Caixa em 2022, no governo Jair Bolsonaro, após a saída de Pedro Guimarães, que deixou o cargo depois de denúncias de assédio. Antes de assumir o banco, ela atuou no Ministério da Economia, na gestão de Paulo Guedes, e era vista no entorno do ex-ministro como uma auxiliar de confiança para temas ligados a mercado, gestão e políticas públicas.

Essa trajetória explica o peso político da escolha. Daniella não chega à pré-campanha como uma figura meramente decorativa: seu nome remete ao núcleo econômico que defendeu reformas liberais, privatizações, controle de gastos e maior participação do setor privado durante o governo Bolsonaro.

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A ex-presidente da Caixa também se licenciou por seis meses da Legend, empresa em que atuava, para colaborar com a pré-campanha. O afastamento reforça que a participação será mais estruturada do que uma consulta eventual, embora o posto formal, a remuneração e o poder de decisão dentro da equipe ainda não tenham sido detalhados publicamente.

Aceno ao mercado e disputa por identidade econômica

A entrada de Daniella ocorre em um momento em que Flávio busca consolidar sua imagem de pré-candidato competitivo e organizar o núcleo que dará sustentação técnica à campanha. Na prática, a montagem da equipe econômica funciona como um cartão de visitas: indica quem terá voz na elaboração de propostas e qual será o grau de compromisso com responsabilidade fiscal.

Daniella declarou defender um modelo “mais austero e virtuoso”. A frase resume a linha geral que deve orientar sua contribuição, mas ainda não se traduz em medidas concretas, metas fiscais, desenho de programas sociais ou propostas para tributação, crédito e investimento.

O desafio de Flávio será transformar esse aceno em programa. A presença de uma ex-auxiliar de Guedes aproxima a pré-campanha de uma agenda conhecida pelo mercado, mas não esclarece, por si só, como o senador pretende diferenciar suas propostas da política econômica defendida no governo de seu pai.

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Esse ponto é especialmente sensível porque a campanha tenta dialogar com públicos diferentes. De um lado, investidores e empresários cobram previsibilidade fiscal. De outro, a disputa presidencial exige respostas sobre renda, emprego, crédito, programas sociais e custo de vida. Ao associar Daniella à pauta econômica e à responsabilidade social, Flávio procura ocupar as duas frentes.

Equipe ainda está em formação

A confirmação de Daniella não equivale a uma indicação para o Ministério da Fazenda em um eventual governo. Por ora, ela entra como colaboradora da pré-campanha e deverá participar da formulação do plano econômico. Outros nomes ainda são discutidos para compor o núcleo que tratará de contas públicas, crescimento, programas sociais e relação com o setor produtivo.

A definição desses integrantes será o próximo teste da estratégia de Flávio. Se a equipe se concentrar em quadros ligados a Paulo Guedes, a pré-campanha reforçará a continuidade com a agenda liberal do governo Bolsonaro. Se abrir espaço a economistas de outras correntes, poderá tentar construir uma plataforma menos colada à gestão anterior.

Por enquanto, o fato concreto é que Daniella Marques passa a ter papel na formulação econômica da pré-campanha. A consequência prática virá na etapa seguinte: a apresentação de propostas capazes de mostrar se o aceno ao mercado será apenas simbólico ou se dará forma ao programa presidencial de Flávio Bolsonaro.