Documentos divulgados nesta segunda-feira (15) indicam que Mário Frias gravou cenas de Dark Horse no mesmo dia em que aparece vinculado a uma sessão da Câmara dos Deputados. A suspeita abriu uma nova frente de pressão sobre o deputado federal do PL de São Paulo, já investigado no Supremo Tribunal Federal por repasses e emendas relacionados ao entorno do filme.
O ponto sensível é simples: se confirmada a sobreposição entre agenda parlamentar e atividade privada, o caso pode reforçar a suspeita de uso indevido do mandato. A presença em sessão, porém, precisa ser lida à luz dos registros oficiais da Câmara, que distinguem marcações em sistema, votações e comparecimento efetivo.
Frias nega irregularidades. A defesa sustenta que as suspeitas não demonstram crime praticado pelo deputado e pediu ao Supremo, em 26 de maio, o arquivamento do inquérito. Até agora, não há denúncia formal contra ele nesse ponto específico da agenda parlamentar.
Agenda parlamentar entra no centro do caso Dark Horse
A nova suspeita desloca parte da discussão do financiamento do filme para a rotina do mandato. O confronto entre gravação e sessão da Câmara interessa porque deputados recebem remuneração pública para exercer atividade parlamentar, e a compatibilidade entre compromissos privados e dias de trabalho oficial pode ter peso político e jurídico.
O episódio envolve uma produção cinematográfica que já vinha cercada por questionamentos. A investigação no STF examina emendas, repasses e vínculos de pessoas próximas ao projeto. Também aparecem no caso a relação de Frias com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e suspeitas de movimentações financeiras ligadas ao entorno do deputado.
Em manifestação apresentada ao Supremo em maio, Frias admitiu que houve verba de Vorcaro no projeto, segundo informações divulgadas à época. A defesa, no entanto, afirma que os repasses foram lícitos e que não há elemento capaz de sustentar responsabilização criminal do parlamentar.
Emendas, repasses e livros fantasmas ampliam pressão
As suspeitas em torno de Dark Horse não se limitam à agenda de gravação. O caso inclui emendas parlamentares sob análise, repasses para uma ONG ligada à produtora Karina Gama e pagamentos a pessoas ou empresas associadas ao circuito do filme. Parte desses valores é investigada por possível desvio de finalidade.
Entre os pontos já revelados estão a destinação de recursos para aliados, pagamentos a advogado ligado ao deputado e a suspeita de aquisição de “livros fantasmas”. Também vieram à tona áudios em que Frias agradece a Vorcaro pelo apoio ao filme, o que reforçou o interesse dos investigadores sobre a origem e o caminho do dinheiro usado na produção.
Outro eixo de desgaste envolve suspeitas de rachadinha e movimentações financeiras atribuídas a pessoas próximas ao parlamentar. Frias e sua defesa têm rejeitado as acusações e tratado os fatos como tentativas de criminalizar relações políticas e profissionais sem prova de crime.
Decisão de Dino pode definir alcance da investigação
No Supremo, o caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino. A próxima etapa relevante é a análise do pedido de arquivamento feito pela defesa. Se o ministro entender que ainda há elementos a esclarecer, a investigação pode avançar sobre documentos da Câmara, registros de presença, agenda de filmagem e movimentações financeiras ligadas ao filme.
Para a Câmara, a questão prática é verificar se houve presença parlamentar efetiva no dia indicado pelos documentos e se a gravação ocorreu no mesmo intervalo. Para Frias, a consequência imediata é política: a suspeita adiciona o exercício do mandato ao centro de uma investigação que já mirava emendas, repasses privados e a estrutura de financiamento de Dark Horse.











