A Polícia Civil do Rio prendeu Michele Coelho Montenegro nesta quarta-feira (3), em Ipanema, sob suspeita de comandar um esquema de fraude com obras de arte e imóveis de luxo que teria causado prejuízo superior a R$ 2 milhões. A detenção foi o ato central da Operação Tela Falsa, deflagrada pela Delegacia de Defraudações (DDEF).
De acordo com o governo do Rio, os investigadores localizaram uma das obras desviadas durante o cumprimento dos mandados. A investigação corre em articulação com a 5ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, do Ministério Público, e apura os crimes de estelionato e apropriação indébita qualificada.
Obras de Sérgio Camargo e Ivan Serpa no centro do esquema
A apuração mira obras atribuídas a Sérgio Camargo (1930-1990), um dos escultores brasileiros mais valorizados no mercado internacional, e a Ivan Serpa (morto em 1973), pintor e desenhista que ajudou a fundar o Grupo Frente, embrião do movimento concreto no país. Peças desses dois artistas circulam em faixas elevadas de leilão e galeria, o que ajuda a explicar a magnitude do prejuízo apontado pela Polícia Civil.
Segundo a Polícia Civil, o esquema combinava a venda das telas a colecionadores com negócios imobiliários de alto valor, usados para dar aparência de lastro às operações. A corporação trata o montante de R$ 2 milhões como estimativa inicial, sujeita a revisão à medida que novas vítimas forem identificadas.
Defesa e próximos passos
Michele é tratada como investigada e responde pelos crimes em apuração — não há, até o momento, sentença sobre os fatos. A defesa não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem; o espaço para resposta segue aberto.
A DDEF deve ouvir nos próximos dias colecionadores e profissionais do mercado de arte que tenham negociado com a investigada, e a Polícia Civil avalia novas fases da operação conforme o avanço das perícias nas obras apreendidas.











