A polícia do Quênia prendeu oito alunas suspeitas de planejar e executar o incêndio criminoso que matou 16 estudantes e deixou ao menos 74 feridas na madrugada desta quarta-feira (28), na Utumishi Girls Academy, em Gilgil, cerca de 120 quilômetros de Nairóbi. O fogo, que começou por volta da 1h no dormitório feminino, só foi denunciado às 3h30, e quando as equipes de emergência chegaram, as chamas já haviam consumido boa parte das instalações.
Fontes da investigação consultadas pela BBC afirmaram que imagens de circuito interno de televisão e depoimentos de sobreviventes e funcionários foram cruciais para a identificação das suspeitas. Ainda não há confirmação sobre a motivação do crime. O dormitório, que abrigava 135 camas, estava trancado por dentro no momento do incêndio, segundo relato de alunas que escaparam à Nation Africa. A polícia teria inicialmente rastreado 30 estudantes, até deter as oito consideradas ‘pessoas de interesse’.
O número oficial de mortos foi confirmado pela Cruz Vermelha do Quênia, enquanto o balanço de feridos ainda oscila: a publicação local Kenyans.co.ke fala em 74 hospitalizadas, e o jornal turco Daily Sabah, citando fontes médicas, eleva o número para 79. As vítimas foram encaminhadas para unidades de saúde em Gilgil e Nakuru. As idades e identidades das detidas não foram divulgadas; a lei queniana restringe a divulgação de dados de menores envolvidos em investigações criminais sem ordem judicial.
A tragédia reacende o debate sobre segurança nas escolas internato do Quênia. Há dois anos, um incêndio em um dormitório escolar deixou 21 mortos, e desde então uma série de episódios semelhantes tem alarmado pais e educadores. Segundo a imprensa local, há registro de dezenas de incêndios criminosos em escolas secundárias nos últimos anos, alguns atribuídos a tensões entre alunos ou a retaliações disciplinares. Especialistas apontam para superlotação, falta de saídas de emergência e falhas nas inspeções de segurança como fatores recorrentes. Após o desastre de 2024, o governo queniano anunciou a criação de uma força-tarefa para revisar a segurança escolar, mas poucas recomendações foram implementadas, como revelaram auditorias internas vazadas. O PIRANOT acompanha a crise de segurança nas escolas quenianas — relembre nossa cobertura.
Em nota, o Ministério da Educação do Quênia expressou condolências e prometeu ‘ações rigorosas’ para evitar novos incidentes, mas não detalhou medidas concretas. Organizações de direitos humanos pedem investigações independentes sobre a conduta das escolas e da polícia. Enquanto isso, as famílias das vítimas aguardam respostas. ‘Não sabemos por que isso aconteceu’, disse uma mãe à equipe da BBC, em relato sem identificação. A reportagem não conseguiu contato direto com as autoridades para obter uma versão oficial sobre as prisões, e as detidas não se pronunciaram por meio de advogados.
O caso segue em investigação. A polícia acredita que as oito suspeitas possam ter recebido ajuda de funcionários ou de outras alunas, e novas prisões não estão descartadas. O PIRANOT continuará acompanhando o desdobramento.











