O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta quinta-feira (28) que deu ordens diretas às Forças de Defesa de Israel (IDF) para expandirem o controle territorial sobre a Faixa de Gaza para 70%, ignorando abertamente os termos do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. A declaração, feita durante uma conferência em um assentamento na Cisjordânia ocupada e transmitida pelo Canal 12 israelense, intensifica a crise humanitária no enclave palestino e eleva a pressão internacional sobre o governo israelense.
“Neste momento, temos o Hamas pela garganta. Controlamos agora 60% [da Faixa de Gaza] e a minha diretiva é chegar aos 70%”, afirmou Netanyahu, em vídeo divulgado pela imprensa local. A fala ocorre em um cenário de fragilidade política para o mandatário, que tenta consolidar sua base às vésperas de eleições internas.
O cessar-fogo de outubro de 2025, costurado com intensa diplomacia americana, estabelecia o controle israelense sobre 53% do território, conhecido como “Linha Amarela”, e previa uma retirada gradual até a devolução de áreas aos palestinos. O anúncio de Netanyahu representa uma violação deliberada do acordo, com o premier acrescentando que o Exército deve “ignorar os termos do cessar-fogo”.
A reação internacional foi imediata. “A expansão anunciada por Netanyahu constitui uma violação grave da Carta das Nações Unidas e pode configurar crimes de guerra”, declarou em Genebra uma porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. A entidade já monitora a situação e avalia levar o caso ao Conselho de Segurança. Numericamente, fontes divergem: enquanto o jornal britânico The Guardian e o valor econômico apontam 60% de controle atual, o jornal O Globo menciona 64%, mas a meta de 70% é consensual.
O conflito atual teve início em outubro de 2023, com o ataque do Hamas que deixou mais de 1.400 mortos em Israel. Desde então, a ofensiva militar israelense, que já completou dois anos, destruiu grande parte da infraestrutura de Gaza e matou dezenas de milhares de palestinos, segundo autoridades de saúde locais. A população civil, hoje confinada em uma estreita faixa costeira, enfrenta escassez de alimentos, água e medicamentos.
Analistas internacionais veem a nova ofensiva como uma manobra de Netanyahu para se fortalecer diante de sua base de direita e nacionalista. O jornal The Guardian destaca que o premiê “luta pela sobrevivência política” antes de eleições marcadas para breve. O movimento também é interpretado como um aceno aos colonos radicais, que exigem a anexação de territórios palestinos.
O grupo Hamas ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes da região indicam que os contatos sobre a libertação de reféns — estimados em cerca de uma centena — podem ser suspensos. As negociações, mediadas pelo Catar e Egito, já estavam emperradas. A nova declaração israelense joga por terra os frágeis avanços diplomáticos.
O episódio ecoa outros momentos de tensão recente na região. Há apenas uma semana, o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, havia provocado ativistas detidos durante protestos em Jerusalém — caso noticiado pelo PIRANOT (acervo). A sequência de atos de força tem ampliado o isolamento diplomático de Israel, inclusive em foros multilaterais.
Com a ordem de Netanyahu, as IDF devem intensificar operações terrestres nos próximos dias, especialmente nos corredores central e sul da Faixa, onde o controle israelense ainda é parcial. Especialistas em segurança preveem um novo êxodo de civis em direção à fronteira com o Egito, já saturada. A comunidade internacional acompanha os desdobramentos com apreensão, enquanto a ONU avalia medidas concretas para coibir o que muitos já chamam de violação sistemática do direito humanitário.
A administração Biden, por meio de um porta-voz do Departamento de Estado, fez um apelo por “contenção imediata” e lembrou que os EUA seguem como garantes do cessar-fogo. O presidente americano deve convocar reunião emergencial com líderes do Conselho de Segurança nas próximas horas.











