sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Bombardeios e tropas israelenses forçam retirada em Nabatieh e Tiro, aumentando pressão sobre cessar-fogo

Israel ordena retirada em 17% do Líbano e avança com tropas no sul

Bombardeios e tropas israelenses forçam retirada em Nabatieh e Tiro, aumentando pressão sobre cessar-fogo

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Notícia traz atualização factual sobre: Heavy Israeli strikes hit southern Lebanon after large-scale evacuation orders
  • Fontes públicas e dados oficiais foram consultados para checagem.
  • Equipe acompanha desdobramentos para manter a publicação atualizada.

Israel promoveu na segunda-feira (26) uma das maiores ofensivas no sul do Líbano desde o cessar-fogo mediado por EUA e França em abril, com pelo menos cem ataques aéreos e o avanço de tropas além da Linha Azul. O comando militar israelense emitiu ordens de evacuação que cobrem aproximadamente 17% do território libanês — incluindo as cidades de Nabatieh e Tiro — determinando que civis deixassem dezenas de localidades de forma imediata.

Publicidade

O cessar-fogo de abril, negociado com o objetivo de afastar o Hezbollah do sul e permitir a implantação do Exército libanês supervisionada pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), vem se deteriorando a cada semana. Ambos os lados trocam acusações de violações, mas a ofensiva atual é a mais abrangente desde então e pode marcar o colapso definitivo do acordo.

A ação terrestre começou com incursões em três eixos principais, apoiadas por helicópteros de combate. Blindados e infantaria ocuparam posições nos arredores de Marjayoun e Hasbaya, enquanto moradores de Kfar Kila, Adaisseh e Blida recebiam alertas de retirada. As Forças de Defesa de Israel (IDF) justificaram a operação como “defesa contra ameaças iminentes do Hezbollah”, citando lançamentos de foguetes contra comunidades do norte israelense nos dias anteriores.

Publicidade

O saldo de mortos chegou a 22 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde libanês, atingidas em veículos e áreas residenciais. A BBC registrou outras 12 vítimas fatais em ações similares, elevando o total desde o início do cessar-fogo para mais de 400, conforme compilações da imprensa local.

“Não há mais zona segura no sul. As ordens de evacuação chegam por mensagens de texto minutos antes dos bombardeios”, afirmou um morador de Nabatieh à TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah. Famílias deixaram casas com poucos pertences em meio a cenas de pânico, enquanto a Cruz Vermelha Libanesa mobilizava equipes extras sem ainda divulgar um balanço consolidado de deslocados. Estima-se que a nova ordem de retirada possa afetar centenas de milhares de pessoas, considerando a densidade populacional da região.

Publicidade

Pouco antes dos ataques, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reuniu o gabinete de segurança. Sob pressão de parceiros ultranacionalistas da coalizão, o governo aprovou a nova fase operacional. O chefe do Estado-Maior israelense foi autorizado a ordenar a ofensiva, cujo nome não foi revelado.

A comunidade internacional reagiu com preocupação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu moderação e respeito ao cessar-fogo. A embaixada dos EUA em Beirute recomendou que cidadãos americanos deixassem imediatamente o sul do país. A Unifil informou, em comunicado, que mantém contato com as partes para evitar uma escalada ainda maior. A França, copatrocinadora do acordo de abril, classificou a situação como “extremamente grave”.

Publicidade

O PIRANOT acompanha a deterioração do cessar-fogo desde seus primeiros dias. Em 26 de maio, reportagem deste jornal mostrou que Israel havia declarado 15% do Líbano como zona de combate e se preparava para ampliar as operações. No dia seguinte, outra matéria registrou os bombardeios subsequentes em Nabatieh e Tiro, evidenciando o padrão de violações recíprocas.

Analistas consultados pela Reuters alertam para o risco de o conflito extrapolar as fronteiras libanesas. O Hezbollah, embora enfraquecido, mantém capacidade de retaliação, o que poderia envolver o Irã em um momento de negociações frágeis sobre seu programa nuclear com os EUA. “A tentação de escalar é grande quando as linhas diplomáticas estão embaçadas”, disse Maha Yahya, diretora do Carnegie Middle East Center, em nota.

Publicidade

A extensão da reação do Hezbollah definirá os próximos capítulos. Enquanto isso, a população libanesa revive o drama de uma guerra que parecia ter sido, ao menos temporariamente, interrompida.


Publicidade