Após confrontar declarações oficiais do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com comunicados das Forças de Defesa de Israel, a apuração identifica uma contradição estratégica central: no momento em que Estados Unidos e Irã avançam em negociações de paz em Doha, Israel ordenou a intensificação sistemática de ataques contra o Líbano com o objetivo declarado de “esmagar” o Hezbollah. A decisão, anunciada em vídeo publicado no Telegram nesta segunda-feira (25), contraria os esforços diplomáticos em andamento e coloca em xeque a prorrogação do cessar-fogo acordada em meados de maio.
“Ordenei uma aceleração das nossas operações”, declarou Netanyahu em vídeo divulgado no Telegram. “Vamos intensificar os golpes, aumentar a potência e esmagar o Hezbollah”, afirmou o primeiro-ministro, que enfrenta pressão de integrantes ultranacionalistas de sua coalizão que defendem a retomada de uma guerra em larga escala no Líbano. As Forças de Defesa de Israel confirmaram a realização de ataques contra alvos do grupo militante em várias regiões do território libanês, incluindo o Vale do Bekaa e o sul do país, em uma das maiores ofensivas desde o cessar-fogo informal firmado em abril.
O exército israelense também emitiu ordem de evacuação para a cidade libanesa de Nabatieh, no sul do país, e para as vilas da região, sinalizando possibilidade de expansão da ofensiva terrestre. Forças terrestres avançaram além de 10 quilômetros da zona de segurança estabelecida, conforme documentou anteriormente o PIRANOT sobre a expansão da operação militar israelense. O número de mortos no Líbano desde o início do conflito ultrapassou 3.000, segundo balanço de agências internacionais que monitoram o conflito. Moradores de Beirute abandonaram os subúrbios após ameaças de novos ataques israelenses, criando um cenário de deslocamento humanitário na região.











