sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Área ao sul do rio Zahrani, com 1.500 km², foi classificada como zona de combate pelo exército israelense; medida ordena evacuação civil apesar de trégua em vigor desde abril

Israel declara zona de combate em 15% do Líbano e tensiona cessar-fogo

Área ao sul do rio Zahrani, com 1.500 km², foi classificada como zona de combate pelo exército israelense; medida ordena evacuação civil apesar de trégua em vigor desde abril

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • A ordem de evacuação atinge civis ao sul do rio Zahrani, área que avança 40 km sobre o limite anterior.
  • A classificação amplia zona de segurança além do rio Litani, delimitação estabelecida por Israel em março.
  • Confrontos entre forças israelenses e Hezbollah evidenciam fragilidade da trégua negociada em abril.
  • Porta-voz militar não especificou prazos ou condições para revisão da medida.
  • Esta é a quinta invasão israelense ao sul do Líbano desde 1978.

O exército de Israel declarou nesta quarta-feira (27) que toda a região ao sul do rio Zahrani, no Líbano, será considerada “zona de combate” — uma área de aproximadamente 1.500 km² que corresponde a cerca de 15% do território libanês. A decisão, anunciada pelo porta-voz Avichay Adraee, ordena a evacuação da população civil mesmo com o cessar-fogo em vigor desde 17 de abril. A medida representa uma escalada significativa na fronteira norte de Israel e coloca em xeque os esforços diplomáticos para manter a estabilidade na região.

Publicidade

A delimitação avança em relação ao que Israel já havia estabelecido em março, quando anunciou a criação de uma zona de segurança ao sul do rio Litani. Agora, a nova classificação empurra a fronteira operacional cerca de 40 km para dentro do Líbano, ampliando significativamente a área de operações militares. A extensão territorial da nova zona de combate equivale a aproximadamente um sexto do território libanês, o que demonstra a dimensão da operação unilateral israelense. Segundo informações de fontes diplomáticas, a medida surge após confrontos e ataques mútuos entre Israel e o Hezbollah, evidenciando a fragilidade da trégua negociada sob mediação internacional.

O coronel Avichay Adraee, porta-voz do exército israelense em árabe, divulgou a classificação em comunicado oficial, informando que a área será tratada como zona de combate ativo. A declaração não especifica prazos ou condições para que a classificação seja revista, o que gera incerteza sobre a duração das restrições à circulação de civis na região. A ausência de um horizonte temporal claro aumenta a tensão entre as partes e complica os esforços de mediação em andamento.

Publicidade

Trégua sob pressão desde março

Esta é a quinta invasão israelense ao sul do Líbano desde 1978, segundo registros históricos de conflitos na região. O confronto atual intensificou-se em março de 2026, quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em protesto ao assassinato do líder supremo do Irã. Em resposta, Israel anunciou a intenção de criar uma zona de segurança ao sul do rio Litani. O cessar-fogo, que entrou em vigor em 17 de abril, já era considerado frágil por analistas e organismos internacionais antes mesmo da nova delimitação territorial.

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, saudou o anúncio do cessar-fogo em abril e conclamou Israel a encerrar a ocupação. A nota oficial de 16 de abril reforçou a posição diplomática do Brasil favorável à resolução pacífica do conflito, mas não abordou especificamente a questão da zona de segurança israelense. O Ministério das Relações Exteriores não divulgou, até o momento desta publicação, nota específica sobre a nova zona de combate ou sobre o status de segurança de brasileiros na área afetada.

Publicidade

Confrontos entre Israel e Hezbollah foram reportados além da zona delimitada, segundo informações de fontes internacionais, em meio a disputas diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã sobre a inclusão do grupo libanês em acordos de cessar-fogo regionais. A tensão diplomática atravessa o momento em que Israel amplia unilateralmente sua área de operações, o que pode comprometer as negociações em curso e elevar o risco de escalada regional.

Reportagem anterior do PIRANOT mostrou que Israel já havia expandido operação terrestre no Líbano e avançado além de zona tampão estabelecida anteriormente, sinalizando uma progressão das operações militares que culminou na declaração desta quarta-feira. A articulação entre a ofensiva terrestre e a classificação administrativa da área como zona de combate indica uma estratégia coordenada de controle territorial.

Publicidade

Incógnitas e próximos passos

Permanecem sem resposta oficial questões fundamentais: a população civil exata na área sul do Zahrani, a existência de brasileiros na região afetada, a reação formal do governo libanês e o posicionamento explícito do Hezbollah sobre a medida. Também não há declaração oficial sobre se a classificação constitui violação do cessar-fogo de abril, o que abre espaço para interpretações divergentes sobre o status jurídico da operação.

A extensão territorial da classificação — entre 15% e 18% do território libanês, conforme diferentes fontes — aguarda confirmação oficial. A variação nos números reflete a complexidade de mensurar áreas de operação militar em zonas de fronteira contestadas. Enquanto isso, a população civil na região enfrenta a incerteza sobre quando — ou se — poderá retornar às suas residências.

Publicidade

Nota: As fontes consultadas para esta reportagem não forneceram citações diretas com aspas sobre a declaração de zona de combate. O PIRANOT mantém o compromisso de atualizar esta matéria caso declarações oficiais com atribuição direta sejam disponibilizadas.


Publicidade