A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 200 mil figurinhas falsificadas do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 em operação realizada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O material foi encontrado no compartimento de carga de um ônibus e seria distribuído em municípios da Região Metropolitana do Rio. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), também encontrou milhares de camisas falsificadas da seleção brasileira.
O delegado titular Victor Arthur Tutman, responsável pela operação, aponta que o alto preço do produto oficial tem impulsionado o mercado de falsificações e golpes online. Um pacote com sete cromos custa R$ 7,00 nas revendas autorizadas, e estimativas do setor indicam que completar o álbum pode exigir desembolsos de até R$ 7 mil — valor que não considera trocas entre colecionadores e que pode variar conforme a estratégia de compra.
“Pelo tato já dá para perceber. O papel tem uma qualidade diferente, é mais poroso e mais grosso”, explicou o delegado Victor Tutman, ao detalhar os métodos de identificação de falsificações. Segundo ele, as figurinhas oficiais têm preço tabelado pela editora e qualquer oferta significativamente abaixo do valor de mercado deve ser tratada com suspeita. A apreensão em Nova Iguaçu aponta para uma operação de larga escala: o material apreendido seria comercializado em pontos de venda populares e também através de plataformas digitais.
Álbum maior da história amplia desafio dos colecionadores
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira com 48 seleções participantes, expansão em relação às 32 das edições anteriores. O álbum oficial, produzido pela Panini, tornou-se o maior da história com 980 figurinhas. O aumento no número de cromos elevou significativamente o custo para colecionadores que desejam completar a coleção, criando um cenário propício para a proliferação de produtos falsificados.
O mercado clandestino de figurinhas se intensificou em todo o país, com vendas identificadas em regiões de comércio popular das grandes metrópoles. O preço mínimo identificado para figurinhas falsificadas gira em torno de R$ 5,00, valor abaixo dos R$ 7,00 oficiais, mas que representa prejuízo para quem adquirir material de qualidade inferior. A diferença de R$ 2,00 por pacote pode parecer pequena, mas se acumula em compras repetidas e não garante a qualidade do produto.
Consumidores relatam em redes sociais que o custo elevado para completar a coleção cria barreira para famílias. O cenário reflete uma tensão entre o preço do produto oficial e a demanda por alternativas mais acessíveis, ainda que ilegais. Relatos de compradores apontam frustração com a qualidade inferior das figurinhas falsificadas, que podem ter cores desbotadas, corte impreciso e adesivo de baixa qualidade.
Como identificar falsificações e se proteger
O delegado Tutman detalhou que os consumidores devem observar três aspectos principais: o acabamento das bordas, a qualidade do papel e o preço praticado. Figurinhas originais apresentam corte preciso e brilho característico, enquanto as falsificadas tendem a ter cores menos vivas e textura mais áspera.
“A qualidade da impressão também é um indicador importante. As falsificações geralmente apresentam cores menos vibrantes e detalhes menos nítidos”, complementou Tutman. A recomendação oficial é realizar compras apenas em revendas autorizadas e desconfiar de anúncios em redes sociais com preços muito abaixo do mercado. Golpes online também foram identificados, com consumidores pagando por produtos que nunca são entregues.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis pela distribuição do material apreendido. Não há, até o momento, informações oficiais sobre operações similares em outros estados, mas o cenário aponta para uma preocupação nacional com a expansão do mercado de falsificações.
A Panini, editora oficial das figurinhas da Copa 2026, não se posicionou publicamente sobre as apreensões até a publicação desta reportagem. O prejuízo estimado para a empresa com a pirataria também não foi divulgado. Colecionadores que adquiriram produtos falsificados podem registrar queixa nas delegacias especializadas em crimes contra a propriedade imaterial.
A preocupação com fraudes envolvendo a Copa 2026 não se limita às figurinhas. Procuradoras de Nova York e Nova Jersey abrem investigação sobre ingressos do torneio, conforme reportagem anterior do PIRANOT sobre esquemas de venda irregular de bilhetes para os jogos.











