Israel expandiu operação terrestre no sul do Líbano além da ‘Linha Amarela’, zona tampão estabelecida após cessar-fogo de abril, com mais de 100 ataques registrados na madrugada desta terça-feira (26). A informação foi confirmada por duas fontes e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
A ofensiva avança além da linha de demarcação estabelecida após o cessar-fogo de 16 de abril com o Hezbollah. A zona tampão, com extensão entre 5 km e 10 km dentro do território libanês, foi criada unilateralmente por Israel após o acordo de trégua.
Netanyahu afirmou que os militares estão operando com ‘grandes forças terrestres’ no sul do Líbano e assumindo o controle de ‘áreas estratégicas’, segundo comunicado divulgado na abertura de uma reunião do gabinete de segurança. O objetivo declarado da zona-tampão é impedir ataques com foguetes contra o norte de Israel.
Distinção entre linhas de fronteira
A ‘Linha Azul’, reconhecida pela ONU desde 2000, marca a fronteira internacional entre Israel e Líbano após a retirada israelense do sul libanês. A ‘Linha Amarela’, por sua vez, foi estabelecida por Israel de forma unilateral em abril de 2026, sem endosso da comunidade internacional.
A distinção revela a natureza da expansão territorial: o avanço israelense ultrapassa uma linha de demarcação cuja legitimidade depende exclusivamente da força militar israelense, e não de reconhecimento internacional.
Contexto das negociações
A escalada ocorre em momento de negociações paralelas envolvendo Estados Unidos e Irã. Representantes de Israel e Líbano realizaram reuniões em Washington consideradas ‘altamente produtivas’ para ampliar o cessar-fogo por 45 dias, segundo autoridades americanas.
Posições oficiais
A posição oficial do governo libanês sobre a expansão não foi divulgada até o fechamento desta reportagem. A ONU tampouco emitiu comunicado classificando a operação como violação do cessar-fogo de abril. O Hezbollah não se manifestou publicamente sobre a escalada.
Tropas israelenses continuam a operar em dezenas de vilarejos no sul do Líbano, em grande parte abandonados, segundo fontes consultadas.











