A Raízen avalia avançar com a reestruturação de sua dívida de segundo dados oficiais, R$ 65 bilhões mesmo sem o apoio dos bondholders offshore, conforme apurou a Bloomberg nesta quarta-feira (20). A empresa aposta no suporte de bancos credores e debenturistas locais para viabilizar o maior processo de recuperação extrajudicial já registrado no país.
De acordo com a reportagem, a companhia calcula ter apoio suficiente dos credores domésticos para seguir adiante, apesar da resistência dos investidores internacionais. O prazo para conclusão do acordo vence em aproximadamente 30 dias, segundo a Capital Aberto.
Essa avaliação ocorre em meio a incertezas sobre o percentual atual de credores favoráveis, que em março era de cerca de 40%, e os termos finais do plano, que incluem conversão de dívida em ações e venda de ativos na Argentina. A Raízen ainda não confirmou oficialmente os detalhes do aporte liderado pela Shell.
Maior recuperação extrajudicial do Brasil enfrenta resistência de credores internacionais
Constituída em 2011 como joint venture entre Shell e Cosan, a Raízen tornou-se uma das maiores empresas globais de biocombustíveis. A crise atual reflete uma combinação de alavancagem elevada, volatilidade cambial e alta dos custos de capital em ciclo de alta da Selic.
O pedido de recuperação extrajudicial, protocolado em março, envolve segundo dados oficiais, R$ 65 bilhões, o maior valor já registrado em uma recuperação extrajudicial no país.
Reestruturação pode afetar mercado, acionistas e cadeia produtiva regional
O plano de reestruturação da Raízen inclui a conversão de parte da dívida em participação acionária, o que pode diluir acionistas minoritários da RAIZ4, conforme análise da A Revista. A venda de ativos na Argentina e o aporte de capital liderado pela Shell ainda estão em negociação.
Decisão final depende do apoio legal e negociações em curso
O prazo para a conclusão da recuperação extrajudicial expira em cerca de 30 dias, mas a Raízen ainda avalia se avançará sem o consentimento dos bondholders offshore. A empresa não divulgou informações oficiais à Comissão de Valores Mobiliários até o momento.











