Uma mulher de 28 anos pulou do segundo andar de um prédio com a filha de 2 anos no colo para escapar das agressões do ex-companheiro em Suzano, na Grande São Paulo. O agressor, Paulo Sergio Pereira de Souza, de 32 anos, foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão preventiva decretada por tentativa de feminicídio e violência doméstica, conforme a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
A violência durou cerca de duas horas, período em que o suspeito ameaçou a vítima com uma faca na frente do filho do casal e a manteve em cárcere privado, segundo o registro da Polícia Civil. Temendo pela própria vida e pela da criança, a mulher se jogou da janela do apartamento no início da noite de 1º de março. Mesmo após a queda, o agressor continuou a ameaçá-la, até que vizinhos acionaram a polícia.
A vítima e a criança foram socorridas com ferimentos e levadas a um hospital da região. Após receber alta, a mulher formalizou a denúncia contra o ex-companheiro. A Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante em preventiva, mantendo o suspeito detido. A defesa dele não foi localizada.
Medidas protetivas falharam em 13,1% dos feminicídios em 2025
O caso de Suzano expõe a fragilidade da rede de proteção às mulheres. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que, em 2025, 13,1% das vítimas de feminicídio no país tinham medida protetiva ativa no momento da morte. A desconexão entre a Justiça e a fiscalização efetiva dessas ordens é apontada por especialistas como um dos principais gargalos no combate à violência de gênero.
Em Piracicaba, a 160 km da capital paulista, o cenário também é alarmante. Levantamento da SSP-SP indica que a violência contra a mulher cresceu 17% em 2026 na cidade, com a maioria das vítimas na faixa de 21 a 45 anos. No ano anterior, os registros de violência doméstica saltaram de 1.418 para 1.444 ocorrências, de acordo com dados oficiais.
A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Piracicaba afirmou que a subnotificação ainda é um obstáculo e que muitas vítimas dependem da rede de apoio informal para romper o ciclo de agressões. “Falta uma integração maior entre as polícias e o Judiciário para que a medida protetiva não seja apenas um papel”, disse ela.
Tornozeleira eletrônica avança como alternativa
Diante das falhas recorrentes das medidas protetivas, estados como São Paulo têm ampliado o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores. O dispositivo é visto por operadores do direito como uma forma de dar efetividade à restrição de aproximação. Dados da Central de Monitoramento Eletrônico de São Paulo apontam que, em 2025, cerca de 2,3 mil agressores eram acompanhados em tempo real no estado.
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