Uma mulher sobreviveu a um acidente que matou seis pessoas na noite de domingo (10/5/2026), após o veículo em que estavam cair no Lago Corumbá IV, dentro do Condomínio Colorado Premium, em Alexânia (GO), no Entorno do Distrito Federal. Entre as vítimas fatais estão quatro filhos da sobrevivente, com idades entre 9 e 18 anos. O caso expõe a vulnerabilidade de áreas de lazer em condomínios e a falta de sinalização adequada às margens de represas.
O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) foi acionado às 21h38. O resgate ocorreu em condições adversas: mergulhadores atuaram a aproximadamente 5 metros de profundidade, com visibilidade de apenas 15%. Três vítimas já haviam sido retiradas da água por populares antes da chegada das equipes; as outras três foram localizadas dentro do veículo submerso, um Ford Versailles. Todas as mortes foram confirmadas no local pelo CBMGO e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A única sobrevivente, mãe de quatro das vítimas, relatou aos policiais que viu “muita água entrando no veículo” e conseguiu sair antes que ele afundasse completamente. Ela foi quem pediu socorro. As crianças mortas são três meninas e um menino, além de uma jovem de 18 anos, Dafne Nicole de Sousa Santiago, também filha da sobrevivente. A sexta vítima fatal não teve parentesco divulgado.
Investigação e responsabilidades
O acidente ocorreu em uma área residencial de alto padrão, às margens do Lago Corumbá IV, um dos principais atrativos do condomínio. O veículo saiu da pista e caiu na água por razões ainda investigadas. A Polícia Militar de Goiás (PMGO) preservou o local até a chegada do Instituto Médico Legal (IML), que recolheu os corpos.
O caso reacende o debate sobre segurança viária em condomínios que margeiam represas. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) mostram que o estado registrou mais de 100 mil acidentes de trânsito em 2025, com cerca de 1 mil mortes. Em 2024, a BR-153, que corta a região, foi apontada como a rodovia mais perigosa do estado, com mais de 360 mortes em seus trechos goianos.
“A ausência de guard-rails e sinalização adequada nesses acessos internos é uma falha recorrente. O poder público precisa fiscalizar, mas a responsabilidade primária é do empreendimento”, afirma o engenheiro de tráfego Paulo César Marques, da Universidade Federal de Goiás (UFG), em entrevista ao jornal O Popular.
Repercussão jurídica e social
A tragédia de Alexânia tem repercussão jurídica e social. O Condomínio Colorado Premium pode responder civilmente por omissão, caso fique comprovada a falta de barreiras de proteção ou iluminação no local do acidente. A mãe sobrevivente, que perdeu quatro filhos, deverá ser ouvida novamente pela Polícia Civil de Goiás, que investiga as circunstâncias do acidente.
O caso também mobiliza autoridades de trânsito. O Detran-GO informou que intensificará campanhas do Maio Amarelo em condomínios do Entorno, com foco em prevenção de acidentes em áreas de lazer. “Precisamos levar a mensagem de segurança para dentro dos muros, onde a sensação de proteção muitas vezes é falsa”, declarou o presidente do Detran-GO, Marcos Roberto Silva, em nota.
Enquanto isso, familiares das vítimas cobram respostas. “Queremos saber por que não havia nenhuma proteção na curva que dá acesso ao lago. Minha irmã perdeu quatro filhos em questão de minutos”, desabafou um parente.
A tragédia expõe uma ferida urbana: o avanço imobiliário sobre áreas de risco sem a contrapartida de infraestrutura segura. Em 2025, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) já havia recomendado a instalação de dispositivos de segurança em represas de condomínios de Alexânia, após um acidente com dois mortos em 2024. A recomendação, no entanto, não foi integralmente cumprida até este novo episódio.
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