O Ministério Público de São Paulo abriu uma frente de investigação para apurar se a Polícia Militar favoreceu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ao conceder-lhe aposentadoria remunerada em tempo recorde. O oficial está preso há cerca de dois meses, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, e por fraude processual.
A representação que motivou a apuração do MP-SP partiu de um deputado estadual, que apontou contradição na conduta da corporação. Após a prisão, a remuneração do militar havia sido suspensa, mas o pedido de aposentadoria foi protocolado e aprovado em menos de uma semana, conforme denúncia que chegou ao Ministério Público.
O promotor de Justiça responsável pelo caso afirmou, em despacho de 30 de abril de 2026, não ter ainda “elementos probatórios suficientes para a imediata instauração de procedimento investigatório”. No entanto, fixou prazo de 15 dias para que a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública entreguem documentos e esclarecimentos sobre o processo de aposentadoria do oficial.
Aposentadoria em menos de uma semana sob suspeita
O pedido de aposentadoria do tenente-coronel foi aprovado em menos de uma semana, um intervalo que o MP-SP considera incompatível com a gravidade das acusações. “Entraram com esse pedido e, em menos de uma semana, a corporação concedeu a aposentadoria”, afirmou fonte próxima ao caso, em declaração reproduzida pela imprensa.
A celeridade do trâmite contrasta com a situação prisional do oficial. Rosa Neto está detido há quase dois meses, acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça e de cometer fraude processual, segundo a investigação da Polícia Civil.
Enquanto o MP-SP aguarda as explicações do governo paulista, a Polícia Militar conduz um processo administrativo disciplinar que pode resultar na expulsão do tenente-coronel. De acordo com a corporação, o procedimento corre em sigilo e testemunhas serão ouvidas ainda em maio de 2026.
Defesa alega obsessão, mas MP mantém acusação
A defesa de Rosa Neto sustenta que ele agiu sob “obsessão e insanidade”, mas o Ministério Público mantém a acusação de feminicídio e fraude processual. O processo disciplinar em andamento pode levar à perda do posto e da remuneração, caso fique comprovada violação grave ao regulamento da PM.
A manutenção da aposentadoria é vista pelo MP-SP como um possível ato de favorecimento. O promotor responsável monitora os trâmites para avaliar se a concessão violou regras disciplinares da corporação.
Paralelamente, o oficial é alvo de outra acusação grave: uma soldado de 32 anos da PM-SP o denunciou por assédio moral e sexual, perseguição e ameaças. A defesa da agente protocolou uma notícia-crime na Corregedoria da Polícia Militar.
Acusação de assédio amplia perfil do réu
A notícia-crime por assédio moral e sexual contra uma subordinada, revelada pelo Estadão, amplia o perfil de conduta do tenente-coronel e pode influenciar o processo administrativo disciplinar. Segundo a Corregedoria da PM, a denúncia será apurada e anexada aos demais procedimentos contra o oficial.
O Ministério Público de São Paulo também foi comunicado, mas ainda não instaurou investigação formal sobre esse episódio específico. O promotor responsável declarou que, até o momento, não há “elementos probatórios suficientes para a imediata instauração de procedimento investigatório”.
A denúncia reforça o histórico de conduta questionável do militar e pode pesar na decisão sobre sua expulsão. Caso o processo disciplinar conclua pela violação do regulamento, Rosa Neto perderá o posto e a remuneração, anulando os efeitos da aposentadoria concedida em tempo recorde.











