sábado, 18 de julho de 2026
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Adriellen Barbosa Lima, 22 anos, foi morta a tiros na frente da filha bebê; suspeito se entregou após 16 dias foragido

Companheiro mata a tiros jovem que teve gêmeos de pais diferentes; bebê de 10 meses é ferida

Adriellen Barbosa Lima, 22 anos, foi morta a tiros na frente da filha bebê; suspeito se entregou após 16 dias foragido

· 5 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Adriellen foi morta a tiros na frente da filha bebê, que ficou ferida por arma branca
  • O suspeito fugiu e se entregou 16 dias depois; não havia registro de violência doméstica anterior
  • Quatro crianças ficaram órfãs, incluindo gêmeos de pais diferentes nascidos em 2022
  • Feminicídios em Goiás subiram 5,35% em 2025, com 59 casos registrados
  • TJGO criou Observatório de Feminicídio para monitorar processos e propor políticas

Quatro crianças perderam a mãe em um crime que chocou Mineiros, no interior de Goiás. Adriellen Barbosa Lima, de 22 anos, foi morta a tiros pelo companheiro na tarde de 20 de abril de 2026, dentro da casa da cunhada. A filha mais nova do casal, uma bebê de 10 meses, estava no colo da vítima e foi ferida por uma arma branca durante o ataque.

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O caso ganhou repercussão nacional não apenas pela brutalidade, mas pela história pregressa da vítima. Em 2022, Adriellen se tornou conhecida após dar à luz gêmeos de pais diferentes — um fenômeno raro chamado superfecundação heteroparental. A visibilidade que teve na época contrasta com a vulnerabilidade que culminou no feminicídio.

Conforme a Polícia Civil de Goiás, o suspeito, Joelson Ribeiro da Conceição, de 23 anos, fugiu logo após os disparos. Ele permaneceu foragido por 16 dias, até se entregar espontaneamente na delegacia de Mineiros em 6 de maio. A prisão em flagrante foi efetuada no mesmo momento, e o inquérito corre sob a tipificação de feminicídio.

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Cronologia do crime e da fuga

Na tarde do crime, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado com a informação de que Adriellen estaria passando mal. Ao chegar à residência, os socorristas a encontraram caída no chão da cozinha, já sem vida. Testemunhas relataram à polícia que a cena era de extrema violência.

A bebê de 10 meses, filha do casal, sofreu um corte na perna. De acordo com a perícia, o ferimento foi causado por arma branca, detalhe confirmado pela Polícia Civil. A criança foi socorrida e não corre risco de morte.

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Joelson fugiu imediatamente após o crime, iniciando um período de buscas que mobilizou a polícia local. “Ele se apresentou espontaneamente e foi preso em flagrante”, informou a delegada Maíra Rezende, responsável pelo caso. A motivação do assassinato ainda não foi divulgada oficialmente.

As quatro crianças órfãs e o caso raro de 2022

Adriellen deixou órfãos um menino de 6 anos, os gêmeos de 4 anos e a bebê ferida. O Conselho Tutelar de Mineiros informou que os irmãos estão sob a guarda de familiares, com acompanhamento de uma rede de apoio psicossocial. A tragédia interrompeu abruptamente a criação dessas crianças, que agora dependem da estrutura familiar para superar o trauma.

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Em 2022, a jovem ganhou os holofotes ao protagonizar um caso raríssimo de superfecundação heteroparental. Ela engravidou de dois parceiros diferentes no mesmo ciclo menstrual, gerando gêmeos com pais distintos. Exames de DNA comprovaram o fenômeno, que tem poucos registros na literatura médica mundial.

A visibilidade midiática da época, no entanto, não se traduziu em proteção. Não há registro de medidas protetivas ou boletins de ocorrência anteriores contra Joelson, segundo a Polícia Civil. A irmã do suspeito, que presenciou o crime, afirmou em depoimento que nunca havia percebido desentendimentos graves entre o casal.

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Investigação e ausência de medidas protetivas

A delegada Maíra Rezende reforçou que “não consta nenhum boletim de ocorrência anterior entre eles”. A ausência de histórico oficial de violência doméstica, contudo, não impede a caracterização do feminicídio, que leva em conta o contexto de violência de gênero e a relação íntima entre vítima e agressor.

A investigação agora se concentra na análise do celular de Adriellen e na oitiva de testemunhas. A Polícia Civil também aguarda laudos periciais complementares, incluindo o exame de confronto balístico, para confirmar se a arma usada no crime é a mesma apreendida com Joelson. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.

O caso expõe uma lacuna recorrente na rede de proteção à mulher: a dificuldade de identificar riscos antes que se concretizem. Muitos feminicídios ocorrem sem denúncias prévias, o que torna fundamental o fortalecimento de canais de acolhimento e a capacitação de profissionais para reconhecer sinais sutis de abuso.

Feminicídios em Goiás: alta de 5,35% em 2025

Os feminicídios em Goiás aumentaram 5,35% em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-GO). Foram 59 casos no ano passado, contra 56 em 2024. As tentativas de feminicídio também cresceram: 187 registros em 2024, uma alta de 8,8% em relação ao ano anterior.

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Como resposta institucional, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) criou o Observatório de Feminicídio, que monitora processos e propõe políticas públicas. A SSP-GO não detalhou quantos desses casos envolviam medidas protetivas prévias, mas o assassinato de Adriellen ilustra a complexidade do enfrentamento à violência doméstica.

O crime em Mineiros se soma a uma estatística que, ano após ano, desafia as autoridades goianas. A comoção gerada pela história de Adriellen — mãe de quatro crianças, símbolo de um fenômeno biológico raro — reacende o debate sobre a efetividade das leis de proteção e a urgência de ações preventivas.


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