Um funcionário terceirizado da Sabesp foi preso sob acusação de estuprar uma cliente dentro da própria residência durante um atendimento domiciliar na zona leste de São Paulo. O crime, ocorrido em 29 de abril, expôs a vulnerabilidade de quem recebe prestadores de serviço em casa e reacendeu questionamentos sobre os mecanismos de controle da companhia sobre suas contratadas.
A vítima havia solicitado um serviço de rotina no bairro Cidade Líder quando recebeu o técnico, de 36 anos, em sua residência. Conforme a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o estupro teria sido cometido durante o atendimento.
A captura do suspeito ocorreu oito dias depois, em 6 de maio, no bairro São Lucas, também na zona leste. Policiais civis da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) localizaram o homem durante uma operação na manhã daquela quarta-feira, informou a SSP-SP. O caso foi registrado como captura de procurado, e a investigação prossegue na especializada.
Cronologia do crime e atuação policial
O atendimento que resultou no crime era parte da rotina de serviços domiciliares prestados pela Sabesp por meio de empresas terceirizadas. A vítima, cuja identidade é preservada, acionou a companhia para um reparo comum, sem imaginar o risco iminente.
A resposta policial foi rápida: em pouco mais de uma semana, a 8ª DDM conseguiu localizar e prender o suspeito. “A prisão foi efetuada com base em investigação criteriosa, que reuniu elementos suficientes para a captura”, afirmou a SSP-SP, em nota.
A agilidade na localização do acusado contrasta, no entanto, com a fragilidade do sistema que permitiu que um prestador sem histórico conhecido tivesse acesso irrestrito à residência da cliente. A Sabesp, procurada, não detalhou os critérios de seleção ou monitoramento dos terceirizados que atuam em campo.
Suporte à vítima e lacunas na fiscalização
Após tomar conhecimento do crime, a Sabesp informou que passou a oferecer suporte multidisciplinar à vítima, com acionamento de equipes médica, psicológica, social e jurídica. A companhia também instaurou procedimento interno para apurar o caso junto à empresa terceirizada responsável pelo funcionário preso.
Em nota, a Sabesp declarou: “Todas as medidas cabíveis serão adotadas para que a Justiça seja feita e para que casos como esse não se repitam. A segurança e o bem-estar de clientes e colaboradores é prioridade máxima.”
A empresa não detalhou, contudo, quais mecanismos de fiscalização são aplicados sobre os prestadores de serviço que realizam atendimentos domiciliares. A ausência de informações alimenta um debate que vai além do caso isolado: como garantir que quem entra na casa dos clientes não representa uma ameaça?
Histórico de terceirização problemática na Sabesp
A prisão do funcionário terceirizado expõe um histórico de irregularidades na gestão de prestadores de serviço pela Sabesp. Em 2022, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) obteve condenação da companhia por terceirização ilícita, com decisão judicial que reconheceu a precarização de atividades-fim e violações trabalhistas.
Conforme o MPT-SP, a prática “desvirtua a própria finalidade do instituto da terceirização, gerando precarização das condições de trabalho e afronta aos direitos sociais”. A sentença apontou que a empresa utilizava contratados para funções essenciais, sem a devida supervisão.
O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema) soma denúncias de desrespeito a direitos e falta de fiscalização sobre as contratadas. Em nota, a entidade já apontou que a terceirização “coloca em risco não só os trabalhadores, mas também a população atendida”.
A fragilidade do controle sobre quem entra na casa dos clientes ganha contornos ainda mais graves diante de um cenário em que 75% dos estupros registrados em São Paulo são contra vulneráveis, conforme dados da Agência Brasil. A combinação de acesso domiciliar sem monitoramento e um quadro endêmico de violência sexual exige respostas institucionais mais robustas.











