sábado, 18 de julho de 2026
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Programa Carro Sustentável zerou IPI de compactos e levou mercado ao melhor quadrimestre desde 2013, mas renúncia tributária não foi divulgada e fim do subsídio em dezembro pode elevar preços e inadimplência

Vendas de veículos novos batem recorde no quadrimestre, mas custo fiscal segue oculto

Programa Carro Sustentável zerou IPI de compactos e levou mercado ao melhor quadrimestre desde 2013, mas renúncia tributária não foi divulgada e fim do subsídio em dezembro pode elevar preços e inadimplência

· 6 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Vendas de veículos novos no 1º quadrimestre de 2026 foram as maiores desde 2013, com 1,73 milhão de unidades.
  • Programa Carro Sustentável zerou IPI de compactos, mas governo não divulga custo fiscal da renúncia.
  • Vendas de elétricos dispararam 173,75%, mas infraestrutura de recarga é insuficiente.
  • Fim do subsídio em dezembro de 2026 pode elevar preços e pressionar inadimplência.

O mercado brasileiro de veículos novos atingiu em 2026 o maior patamar de vendas para um primeiro quadrimestre desde 2013, com 1.734.599 unidades emplacadas — alta de 16,3% sobre o mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pelo Programa Carro Sustentável, que desde julho de 2025 zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos compactos de alta eficiência energética. No entanto, o recorde esconde um custo fiscal bilionário que o governo federal ainda não detalhou.

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Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), responsável pelos dados de emplacamentos, o volume de vendas não era tão alto para o período desde 2013. A entidade, porém, não apresenta estimativas sobre o impacto da renúncia fiscal nas contas públicas. O programa, instituído por decreto em 11 de julho de 2025, tem validade até dezembro de 2026 e abrange veículos 1.0 flex produzidos no Brasil que atendam a critérios de eficiência.

A falta de transparência preocupa especialistas em finanças públicas. Sem a divulgação do montante exato de arrecadação abdicada, não é possível dimensionar se o benefício se justifica diante do aumento nas vendas. Dados oficiais indicam que os modelos enquadrados no programa tiveram alta de 31,9% nas vendas entre julho de 2025 e abril de 2026, na comparação com o intervalo anterior.

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Renúncia fiscal bilionária sem detalhamento

A renúncia fiscal associada ao Programa Carro Sustentável permanece uma incógnita. O governo federal não detalhou, até o momento, o valor que deixou de arrecadar com a isenção do IPI desde a entrada em vigor do decreto. A Fenabrave, que compila os números de vendas, também não inclui projeções sobre o impacto nas contas públicas em seus balanços.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta crescimento contínuo para o setor, mas o fim do subsídio tributário ameaça reverter o ciclo positivo. “O consumidor será o mais prejudicado, pois a carga tributária pode tornar o carro popular inacessível novamente”, alertou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, em nota técnica.

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O risco de uma “ressaca” para o consumidor é real. Com o encerramento do programa, previsto para dezembro de 2026, os preços dos veículos populares podem subir abruptamente, afetando justamente a faixa de renda que mais se beneficiou do incentivo. Além disso, a inadimplência no financiamento de veículos, ainda não mensurada pelas instituições financeiras, pode se agravar caso as condições econômicas se deteriorem. O Banco Central não divulgou dados específicos sobre a carteira de crédito automotivo no período.

Eletrificados disparam, mas infraestrutura não acompanha

As vendas de veículos eletrificados dispararam no primeiro quadrimestre de 2026, segundo a Anfavea. Os elétricos puros cresceram 173,75% (48.401 unidades), enquanto os híbridos leves avançaram 71,53% (90.485 unidades). O salto reflete o interesse do consumidor, mas esbarra em uma infraestrutura de recarga insuficiente e na ausência de incentivos de longo prazo.

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“O crescimento é expressivo, mas precisamos de uma rede de recarga à altura. Sem isso, o consumidor pode recuar”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, em coletiva de imprensa. A declaração ecoa a preocupação de que a dependência de veículos importados, especialmente da China, pressione a balança comercial. Dados da associação mostram que a maioria dos elétricos vendidos no país é importada, o que agrava o déficit do setor automotivo.

O Programa Carro Sustentável, que zerou o IPI para compactos eficientes, não contempla incentivos específicos para a infraestrutura de recarga. Com o fim do benefício previsto para dezembro de 2026, a Anfavea teme que a demanda desacelere justamente quando o mercado de elétricos ganha tração. A falta de um plano nacional de eletromobilidade, com metas claras e estímulos fiscais duradouros, é apontada como o principal gargalo para a consolidação dos veículos limpos no Brasil.

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Cenário para 2027: inflação e volta de impostos

O fim do Programa Carro Sustentável acendeu alerta no Banco Central. Em sua mais recente projeção, a autoridade monetária elevou a estimativa de inflação para 4,6% em 2026, pressionando os juros e o custo do crédito para o consumidor. Sem a isenção do IPI, os preços dos veículos compactos podem subir de forma abrupta, revertendo o ciclo de recordes de vendas.

A discussão sobre o chamado ‘Imposto do Pecado’ agrava o cenário. A reforma tributária em tramitação prevê alíquota de até 18% para veículos não contemplados por critérios ambientais, conforme divulgado pela Anfavea. “O consumidor será o mais prejudicado, pois a carga tributária pode tornar o carro popular inacessível novamente”, reiterou o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite.

Dados oficiais indicam que o programa zerou o IPI para carros 1.0 flex com alta eficiência energética desde julho de 2025, impulsionando as vendas em 31,9% no período. O risco fiscal, contudo, permanece obscuro: a renúncia tributária bilionária não foi detalhada pelo governo. Com a volta dos impostos e a inflação acima da meta, a inadimplência no setor automotivo tende a crescer, afetando diretamente as famílias de menor renda.

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Perguntas frequentes

Por que as vendas de carros novos bateram recorde em 2026?

O principal fator foi o Programa Carro Sustentável, que zerou o IPI para veículos compactos eficientes desde julho de 2025. Isso reduziu os preços e impulsionou as vendas, que cresceram 16,3% no primeiro quadrimestre de 2026 em relação a 2025.

O que acontece quando o Programa Carro Sustentável acabar?

O programa termina em dezembro de 2026. Com o fim da isenção do IPI, os preços dos carros populares devem subir, o que pode reduzir as vendas e aumentar a inadimplência nos financiamentos, especialmente se a inflação e os juros permanecerem altos.

Qual o risco da renúncia fiscal do governo com o programa?

O governo não divulgou o valor exato que deixou de arrecadar com a isenção do IPI. Especialistas temem que o custo bilionário possa impactar as contas públicas sem garantia de retorno, já que o benefício é temporário e pode gerar uma ‘ressaca’ no mercado.


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