A comissão especial da Câmara que analisa o fim da escala 6×1 começou os trabalhos nesta terça-feira (5) sem divulgar qualquer estudo oficial sobre o impacto econômico da medida. A ausência de dados sobre quantos trabalhadores seriam afetados ou qual o custo adicional para as empresas fragiliza o debate e acirra a resistência do empresariado, enquanto milhões de empregados do comércio e da indústria seguem em compasso de espera.
A proposta de extinguir a jornada de seis dias trabalhados por um de descanso é bandeira histórica das centrais sindicais, que pressionam por redução da carga semanal sem corte nos salários. Do outro lado, entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) defendem uma alternativa menos drástica: reduzir a carga horária de 44 para 40 horas semanais, mas mantendo a escala atual.
O impasse político coloca em lados opostos a base aliada do governo e a frente parlamentar do setor produtivo. A comissão tem até o fim de maio para votar um parecer, mas a falta de consenso e a escassez de números oficiais ameaçam o cronograma.
O que está em jogo na comissão especial
O relator da comissão, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Alencar Santana (PT-SP) classificaram como “inegociáveis” o fim da escala 6×1 e a manutenção dos salários. “A gente vai minorar o que tiver que ser minorado para o setor produtivo”, declarou Prates, conforme apuração do InfoMoney.
A fala sinaliza abertura para compensações, mas sem abrir mão do mérito central. A comissão planeja audiências públicas em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, começando pela Paraíba, reduto eleitoral de Motta, em 7 de maio.
Entidades empresariais contra-atacam com uma proposta que mantém os seis dias de trabalho, mas reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A CNC e outras associações patronais pressionam por esse modelo, que evitaria custos adicionais com novas contratações e preservaria a competitividade.
A lacuna dos números e o risco político
Nem a Câmara nem o governo federal apresentaram projeções de impacto fiscal ou econômico da mudança. A reportagem do InfoMoney aponta que não há dados oficiais sobre o percentual de trabalhadores em escala 6×1 ou estimativas de custo para as empresas.
A ausência de números concretos amplia a insegurança jurídica e alimenta a resistência do empresariado. O fato de Motta e Prates serem do mesmo partido, o Republicanos, também levanta questionamentos sobre a condução do processo.
Enquanto isso, milhões de trabalhadores do comércio e da indústria aguardam uma definição. A comissão especial corre contra o tempo para votar o texto até o fim de maio, mas o impasse entre centrais sindicais e entidades empresariais coloca em xeque o avanço da proposta.











