sábado, 18 de julho de 2026
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Banco vê rentabilidade recuar e provisões para calotes subirem 11,2%, em meio a cenário de juros elevados e endividamento recorde das famílias

Santander Brasil registra lucro de R$ 3,788 bilhões no 1º trimestre, queda de 1,6%

Banco vê rentabilidade recuar e provisões para calotes subirem 11,2%, em meio a cenário de juros elevados e endividamento recorde das famílias

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias
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O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, uma retração de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, que ficou abaixo das projeções de analistas, reflete um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por juros ainda elevados e um nível recorde de inadimplência no país.

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\n\n\n\nA queda no lucro foi influenciada principalmente pelo\n\n\n\n

A queda no lucro foi influenciada principalmente pelo aumento das provisões para devedores duvidosos, que somaram R$ 8,085 bilhões no trimestre, alta de 11,2% na comparação anual. A carteira de crédito do banco cresceu 4,7%, atingindo R$ 538,6 bilhões, mas a qualidade dos ativos se deteriorou: o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 0,3 ponto percentual, para 3,2%, enquanto a taxa de calotes de curto prazo (15 a 90 dias) avançou 0,4 ponto, para 4,1%.

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O cenário nacional ajuda a explicar os números. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indicam que a inadimplência atingiu 81,7 milhões de brasileiros em março de 2026, um recorde histórico. “O endividamento das famílias segue pressionado pela taxa Selic em patamar elevado e pela inflação persistente”, afirma a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, em comunicado ao mercado.

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A rentabilidade do banco também foi impactada. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu 1,4 ponto percentual, para 15,1%, refletindo a menor alavancagem operacional. A margem financeira líquida — principal indicador de receita com juros — recuou 2,3% no comparativo anual, para R$ 16,2 bilhões, pressionada pelo maior custo de captação e pela migração de clientes para linhas de crédito com garantias, que oferecem spreads mais baixos.

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Impacto

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Apesar do resultado mais fraco, o Santander destacou avanços na estratégia de diversificação de receitas. As tarifas de serviços cresceram 6,8%, para R$ 4,9 bilhões, impulsionadas por maior atividade em cartões e conta corrente. O banco também celebrou a adição de 1,2 milhão de clientes no trimestre, totalizando 68,3 milhões de correntistas.

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“Estamos navegando um ciclo de crédito desafiador com disciplina e foco na eficiência. A digitalização e a originação de crédito com garantias têm sido nossos pilares para atravessar esse período”, disse o presidente do Santander Brasil, Mario Leão, em teleconferência com jornalistas.

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Analistas do mercado, no entanto, mostram cautela. Em relatório, o BTG Pactual classificou o balanço como “morno”, destacando que a piora da qualidade do crédito e a compressão de margens devem continuar pesando nos próximos trimestres. Já o Itaú BBA apontou que “o Santander está mais exposto ao crédito ao consumidor, segmento mais sensível à inadimplência”.

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O banco também enfrenta o desafio de conciliar crescimento com rentabilidade em um ambiente de competição acirrada. Enquanto fintechs e bancos digitais avançam em nichos como crédito pessoal e cartões, o Santander aposta na integração de canais físicos e digitais para fidelizar clientes.

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Para o segundo trimestre, a expectativa é de que a inadimplência atinja seu pico, abrindo espaço para uma retomada gradual da originação de crédito de maior risco. “Acreditamos que o pior já passou em termos de qualidade de ativos, mas a recuperação será lenta”, avaliou Vescovi.

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Enquanto isso, o cenário macroeconômico segue como principal risco. A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, deve permanecer elevada até o fim de 2026, segundo projeções do mercado, o que continuará limitando a capacidade de pagamento das famílias e empresas. O Banco Central já sinalizou que o ciclo de cortes na taxa básica de juros só deve começar em 2027, o que significa que o custo do crédito seguirá como obstáculo para a retomada do consumo e do investimento.

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