A diferença salarial entre homens e mulheres nas grandes empresas brasileiras ainda chega a 21,3%, mas as contratações femininas cresceram 11% no período analisado pelo 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O dado, que abrange 53,5 mil companhias com mais de cem funcionários, revela um cenário de avanço gradual, porém ainda marcado por desigualdade estrutural.
Disparidade salarial persiste em todos os níveis
O levantamento do MTE, que compila informações enviadas pelas próprias empresas, aponta que a diferença salarial de 21,3% afeta todos os níveis hierárquicos, com maior acentuação nos cargos de liderança. Apesar da persistência desse gap, o relatório indica que a participação feminina no mercado formal está crescendo. Embora o governo federal não tenha divulgado dados comparativos de edições anteriores, o número de mulheres contratadas nas empresas analisadas aumentou 11% no período coberto pela pesquisa.
Para o MTE, o crescimento das contratações femininas sinaliza uma mudança gradual no mercado de trabalho, mas a desigualdade salarial continua sendo um desafio. O relatório faz parte de uma série iniciada em 2023, como parte da política de transparência salarial do governo. A expectativa é que a publicação periódica dos dados crie pressão social sobre os empregadores para reduzir as diferenças.
Contratação feminina avança, mas ritmo é lento
O aumento de 11% nas contratações de mulheres em empresas com mais de cem funcionários representa um avanço, mas ainda insuficiente para reverter a exclusão histórica. Segundo o MTE, a desigualdade salarial persiste mesmo quando se consideram cargos similares, indicando que critérios de remuneração e promoção continuam desfavoráveis às mulheres. Apenas as empresas com políticas ativas de equidade têm conseguido reduzir o gap de forma mais significativa.
O relatório também revela que a participação feminina cresce em todos os setores, mas com ritmos distintos. Nos setores de tecnologia e finanças, por exemplo, a diferença salarial é ainda maior do que a média nacional, enquanto em áreas como educação e saúde a disparidade é menor. Esse contraste reforça a necessidade de políticas setoriais específicas.
Desafios para a igualdade salarial de gênero
A diferença de 21,3% nas remunerações entre homens e mulheres nas grandes empresas é um reflexo de barreiras estruturais que vão além da contratação. De acordo com o MTE, a ferramenta de transparência salarial permite que a sociedade e os sindicatos cobrem medidas efetivas das companhias. Empresas que promovem maior equidade salarial tendem a ter melhor desempenho e retenção de talentos, mas ainda há resistência em rever critérios de remuneração e promoção.
A publicação periódica dos dados cria pressão social, mas avanços concretos dependem de ações coordenadas entre Estado, iniciativa privada e organizações da sociedade civil. O governo federal tem incentivado a adoção de planos de igualdade de gênero, mas a adesão ainda é voluntária. Enquanto isso, a diferença salarial continua sendo um dos principais indicadores da desigualdade no mercado de trabalho brasileiro.
Para o MTE, o aumento nas contratações femininas é um sinal positivo, mas não suficiente. A redução do gap salarial exigirá políticas públicas mais incisivas, como ampliação da fiscalização e incentivos fiscais para empresas que adotarem critérios equitativos. O relatório serve como um alerta: sem ações concretas, a igualdade salarial pode demorar décadas para ser alcançada.











