O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chamou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “o melhor ministro da Economia do Paraguai” nesta segunda-feira (20), durante convenção estadual da Federação União Progressista, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
A fala eleva o tom da campanha eleitoral e sinaliza a estratégia do governador de associar o adversário petista a uma gestão econômica que, segundo Tarcísio, afugenta investimentos para o país vizinho. O evento oficializou o apoio de União Brasil e Progressistas à reeleição de Tarcísio e à candidatura do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.
Em seu discurso, Tarcísio afirmou que a carga tributária brasileira “espanta empresas” para o Paraguai e ironizou: “O Haddad é o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai”. O governador também elogiou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a quem chamou de “grande gestor”, e reafirmou o apoio à reeleição do aliado na capital.
A convenção reuniu lideranças dos dois partidos e marcou a unidade da base governista em São Paulo. Derrite, que disputará o Senado, recebeu elogios de Tarcísio pela atuação à frente da Segurança Pública. O governador não detalhou a que fato específico se referia ao associar Haddad ao Paraguai, mas a menção ocorre em meio a um esforço da campanha tucana para explorar a passagem do petista pelo conselho de Itaipu, entre 2023 e março de 2026.
Disputa eleitoral em São Paulo
O embate ocorre em meio à campanha pelo governo paulista. Pesquisa Datafolha de 13 de julho mostrou Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 30% de Haddad. A diferença de 16 pontos percentuais é menor do que a registrada em junho, quando o governador tinha 51% e o petista, 28%, conforme levantamento anterior do PiraNOT.
A referência ao Paraguai também remete à atuação de Haddad como conselheiro da usina de Itaipu, cargo que ocupou entre abril de 2023 e março de 2026. A campanha de Tarcísio planeja usar esse período para desgastar o adversário, associando-o a decisões que teriam beneficiado o país vizinho em detrimento do Brasil.
Silêncio do Ministério da Fazenda
Até a publicação, o ministro Fernando Haddad e o Ministério da Fazenda não haviam se pronunciado publicamente sobre a declaração. A campanha de Haddad também não divulgou nota. O prefeito Ricardo Nunes, elogiado por Tarcísio, não se manifestou.
Próximos passos
A convenção oficializou as candidaturas, mas o registro das chapas no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) ainda depende da apresentação das atas partidárias. A expectativa é que a campanha de Tarcísio intensifique o discurso de crítica à política econômica federal, explorando a comparação com o Paraguai como forma de desgastar Haddad junto ao eleitorado paulista.










