O Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, anunciou nesta terça-feira (21) a compra de até 45 jatos Embraer E195-E2, durante o Farnborough International Airshow. O acordo inclui um pedido firme de 20 aeronaves, avaliado em US$ 1,75 bilhão pelo preço de tabela, e 25 opções de compra adicionais.
Francisco Raddatz, vice-presidente de frota e compras da Abra, afirmou que a expectativa é iniciar as entregas no último trimestre de 2027. A encomenda marca a primeira vez que o grupo, que historicamente operou apenas Boeing 737 na Gol, incorpora jatos da fabricante brasileira em sua frota.
O valor de US$ 1,75 bilhão refere-se exclusivamente às 20 unidades firmes, com base no preço de lista do modelo. O montante total do contrato, considerando as opções, não foi divulgado. A Abra também não detalhou quantas aeronaves serão destinadas à Gol e quantas à Avianca, nem quais rotas regionais serão priorizadas.
Estratégia e contexto
A decisão representa uma guinada na estratégia de frota da Gol, que desde sua fundação em 2001 manteve uma padronização em torno do Boeing 737 para reduzir custos. A flexibilização começou a ser desenhada após o processo de recuperação judicial (Chapter 11) concluído em 2024, que permitiu ao grupo retomar a expansão. O grupo encerrou 2025 com receita de US$ 9,7 bilhões, alta de 11,1% sobre o ano anterior, segundo dados da própria Abra.
A entrada dos E2 coloca a Gol em posição de competir diretamente com a Azul, que já opera uma frota significativa de jatos da Embraer e lidera o mercado de aviação regional no Brasil. A Latam também encomendou unidades do modelo. A encomenda reforça a carteira de pedidos da Embraer, que na véspera havia anunciado um contrato de treinamento do cargueiro C-390 com Suécia e Áustria.
Impacto no mercado regional
Com capacidade para até 146 passageiros, o E195-E2 permite operar rotas de menor densidade com custo mais baixo que os Boeing 737. A Gol poderá usar os novos jatos para abrir ou reforçar ligações regionais hoje dominadas pela Azul, especialmente no interior de São Paulo, Centro-Oeste e Nordeste. A empresa, no entanto, não confirmou quais bases receberão as aeronaves.
O movimento ocorre em um momento de recuperação do setor aéreo. A Gol retomou gradualmente sua malha após a reestruturação e busca ampliar a participação em mercados secundários. A Azul, que lidera o segmento regional com uma frota expressiva de E-Jets, pode enfrentar concorrência mais acirrada. O anúncio reforça a posição da Embraer no mercado de jatos regionais e deve pressionar a rival a responder com novas encomendas ou ajustes de malha.
Próximos passos
As primeiras entregas estão previstas para o fim de 2027, mas o cronograma detalhado e a configuração final das aeronaves ainda dependem de definições contratuais. A Abra não informou se as 25 opções de compra serão convertidas em pedidos firmes no futuro. O valor final do negócio permanece confidencial, e a distribuição exata entre Gol e Avianca será comunicada oportunamente, segundo a holding.
O mercado agora aguarda a divulgação do plano de rotas e a reação da Azul, que detém a maior frota de E-Jets do país. A entrada da Gol no segmento regional com aeronaves da Embraer pode redefinir a competição nos próximos anos.











