A Embraer e a norte-americana Anduril anunciaram nesta terça-feira (21), durante a Farnborough International Airshow 2026, um acordo para integrar um míssil de cruzeiro ao cargueiro militar C-390 Millennium. A proposta amplia o papel da aeronave brasileira, hoje vendida como plataforma de transporte, reabastecimento e apoio logístico, para uma função de ataque de longo alcance.
O acordo prevê a adaptação do míssil B-500M ao C-390 por meio de um sistema de lançamento paletizado. Na prática, a solução permite embarcar o armamento como carga militar e converter temporariamente o cargueiro em vetor ofensivo, sem transformar a aeronave em um bombardeiro dedicado.
Para a Embraer, o anúncio reforça a tentativa de aumentar o valor estratégico do C-390 em um mercado de defesa que busca plataformas mais flexíveis e de menor custo operacional. Para a Anduril, empresa de defesa dos Estados Unidos, a parceria abre uma vitrine internacional para seu míssil em uma aeronave que já tem compradores fora do Brasil.
A natureza do compromisso, porém, ainda é de desenvolvimento conjunto. As empresas não divulgaram valor financeiro, cronograma de testes, data de entrada em serviço nem a existência de um cliente governamental que financie ou encomende o sistema integrado.
C-390 ganha argumento de venda no mercado militar
O C-390 Millennium já opera ou foi escolhido por forças aéreas de Portugal, Hungria, República Tcheca, Holanda, Áustria e Suécia. A integração de um míssil de cruzeiro acrescenta um novo argumento comercial: a possibilidade de dar capacidade de ataque a países que já compraram ou avaliam comprar a aeronave, sem exigir uma frota separada para essa missão.
Esse é o ponto central da aposta. O cargueiro continuaria sendo uma plataforma de transporte militar, mas passaria a oferecer uma camada adicional de dissuasão e ataque de precisão quando configurado para essa finalidade. Em campanhas internacionais, essa versatilidade pesa porque reduz a necessidade de sistemas distintos para cada missão.
Aposta em defesa acompanha carteira recorde
O movimento ocorre em um momento de expansão da Embraer no exterior. Em junho, a companhia tinha carteira recorde de US$ 31,6 bilhões, impulsionada por pedidos nos segmentos comercial, executivo e de defesa. O C-390 é uma das peças mais importantes dessa estratégia, por disputar contratos de longo prazo com governos e forças armadas.
A parceria com a Anduril não equivale a uma venda fechada. Ela coloca, antes, uma nova configuração na prateleira da Embraer para conversas com operadores atuais e potenciais compradores. O avanço comercial dependerá da validação técnica do sistema, da definição de custos e do interesse de governos em adquirir a combinação entre cargueiro e míssil.











