terça-feira, 21 de julho de 2026
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Eleições

Tarcísio abraça Flávio Bolsonaro em SP e acirra divisão no União-PP

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Dirigentes nacionais do União Brasil e PP não compareceram à convenção em São Paulo.
  • O evento oficializou a candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado na chapa de Tarcísio.
  • A executiva nacional da federação defende neutralidade na disputa presidencial de 2026.
  • Tarcísio exaltou Jair Bolsonaro e criticou a falta de apoio do governo Lula a São Paulo.
  • A federação União-PP integra a base de Lula no Congresso, mas em SP se alinha ao PL de Flávio Bolsonaro.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou nesta segunda-feira (20) o apoio à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante convenção da federação União Brasil-PP na Assembleia Legislativa de São Paulo. O gesto dá a Flávio um palanque no maior colégio eleitoral do país, mas aprofunda a distância entre o diretório paulista e a cúpula nacional da federação.

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No evento, Tarcísio elogiou Jair Bolsonaro, criticou o governo Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que São Paulo não recebeu o apoio federal que esperava. A fala funcionou como sinal duplo: reafirmou a fidelidade política do governador ao bolsonarismo e cobrou alinhamento da direita em torno do nome de Flávio para 2026.

A convenção também marcou o lançamento de Guilherme Derrite (PP) ao Senado na chapa de Tarcísio, que deve disputar a reeleição ao governo paulista. A costura estadual aproxima Republicanos, PL e a ala paulista do União-PP em torno de uma campanha com forte identificação bolsonarista.

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Palanque paulista contrasta com neutralidade nacional

A principal tensão está fora de São Paulo. No plano nacional, a federação União-PP mantém a tendência de neutralidade na disputa presidencial, em uma estratégia para preservar espaço de negociação no Congresso e evitar uma ruptura antecipada com o governo Lula. A posição paulista, portanto, cria um foco de pressão dentro de uma aliança que reúne partidos com interesses eleitorais diferentes nos estados.

Para Flávio Bolsonaro, o apoio de Tarcísio tem peso político evidente. São Paulo é peça central em qualquer campanha presidencial competitiva, e o governador é hoje um dos principais nomes da direita fora do núcleo familiar de Jair Bolsonaro. Ao subir no palanque do senador, Tarcísio ajuda a dar musculatura à pré-candidatura e dificulta a defesa de uma neutralidade absoluta dentro da federação.

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O movimento também coloca Tarcísio em uma equação delicada. Ele depende do eleitorado bolsonarista para sustentar sua campanha de reeleição, mas pertence ao Republicanos, partido que ainda precisa calibrar suas alianças nacionais e estaduais. O governador tenta manter a ligação com Jair Bolsonaro sem transformar a disputa paulista em um conflito direto com todos os setores do Centrão.

Flávio ganha fôlego após semanas de desgaste

O apoio em São Paulo chega em um momento de pressão sobre Flávio. Conversas com setores da federação haviam esfriado após investigações relacionadas ao caso Master e a aliados do senador. Em julho, a Polícia Federal realizou buscas contra um indicado de Flávio ao Senado em um caso estimado em R$ 7,6 bilhões, episódio que ampliou resistências internas à sua candidatura.

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Também pesam sobre a articulação avaliações de que declarações de Flávio contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, dificultam a tentativa de apresentá-lo como um nome mais moderado da direita. Nesse quadro, o palanque de Tarcísio funciona como um contraponto: dá ao senador uma vitória política concreta em meio a uma fase de cobranças e disputas internas.

A partir de agora, a direção nacional do União Brasil e do PP terá de administrar a dissidência paulista sem romper a federação nem perder influência no maior estado do país. Em São Paulo, a chapa de Tarcísio passa a operar com Flávio no centro da disputa presidencial; em Brasília, a cúpula partidária ainda busca manter margem de manobra antes de assumir um lado na eleição de 2026.

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