O Conselho de Administração do Grupo Casas Bahia aprovou, em reunião na quinta-feira (16), um aumento de capital de R$ 140,6 milhões decorrente da conversão de debêntures da 11ª emissão da companhia.
Segundo o Aviso aos Acionistas divulgado pela empresa, foram convertidas 37.895.611 debêntures da 2ª série, na proporção de uma ação ordinária para cada título. Do valor total, R$ 14,06 milhões foram destinados à conta de capital social e o restante à reserva de capital.
Com a operação, o capital social da Casas Bahia passou de R$ 7,124 bilhões para R$ 7,139 bilhões, e o número de ações ordinárias saltou de 975,9 milhões para 1,013 bilhão. A conversão atual é a segunda da mesma emissão: em abril, a companhia já havia aprovado um aumento de R$ 93,6 milhões referente a 25,2 milhões de debêntures convertidas entre março e abril.
Reestruturação financeira e conversão de dívida
A 11ª emissão de debêntures, realizada em dezembro de 2025, faz parte do esforço da varejista para reperfilar dívidas e reduzir a alavancagem em um cenário de juros elevados. A conversão obrigatória dos títulos em ações é um mecanismo que transforma passivos em capital, fortalecendo o balanço sem consumir caixa.
O movimento se insere em uma tendência de empresas brasileiras que recorrem a esse instrumento. Em julho, a Light homologou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão para encerrar sua recuperação judicial, conforme noticiou o PIRANOT.
Diluição e efeitos sobre os acionistas
A conversão das debêntures diluiu os acionistas existentes em aproximadamente 3,9%, considerando o acréscimo de 37,9 milhões de ações sobre a base anterior de 975,9 milhões. A empresa não detalhou o impacto específico sobre a participação de minoritários, e analistas de mercado ainda não divulgaram projeções sobre o efeito no preço das ações BHIA3.
Por se tratar de conversão de dívida, a operação não injeta recursos novos no caixa, mas reduz o endividamento e melhora a estrutura de capital. A Casas Bahia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 3,8 bilhões, e a conversão contribui para aliviar esse montante.
Formalização e questionamentos
A companhia deve atualizar o capital social nos registros da CVM nos próximos dias. A conversão foi realizada sem a oferta de direito de preferência aos acionistas atuais, o que pode gerar questionamentos de minoritários sobre a legalidade da diluição. O Aviso aos Acionistas não menciona medidas adicionais para mitigar esse risco.
O mercado acompanhará a liquidez das ações BHIA3, que podem sofrer pressão com o aumento da base acionária. Até o momento, a empresa não se manifestou sobre eventuais novas conversões da mesma emissão.











