A ISA Energia Brasil protocolou nesta quarta-feira (15) pedido de oferta pública de distribuição primária de ações preferenciais que pode movimentar até R$ 1,3 bilhão, conforme fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A operação ocorre enquanto a transmissora reestrutura seu portfólio e controla 95% do sistema de transmissão do estado de São Paulo. Se concretizada, será o quinto follow-on do ano na B3, reforçando a busca do setor por capital em um cenário de juros elevados.
Inicialmente, a companhia emitirá 22,222 milhões de novas ações preferenciais (PN), com possibilidade de lote adicional de até 100%, elevando o total para 44,444 milhões de papéis. Com base no preço de fechamento de R$ 29,25 na véspera, segundo dados de mercado, a oferta pode alcançar cerca de R$ 1,3 bilhão. Os recursos irão para o caixa da empresa, já que se trata de uma oferta primária.
Reestruturação e contexto do setor
A movimentação ocorre menos de duas semanas após a ISA Energia ter anunciado estudos para uma captação de R$ 650 milhões, conforme antecipou o PIRANOT em 3 de julho. O valor agora projetado é o dobro do inicialmente avaliado, sinalizando uma demanda maior por capital para financiar a troca de ativos estratégicos, incluindo a reestruturação com a Axia Energia.
O setor de transmissão tem recorrido ao mercado de capitais para se capitalizar. Em junho, a Engie concluiu um follow-on de R$ 8,36 bilhões, como mostrou o PIRANOT. A ISA Energia, que reportou lucro líquido de R$ 619,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 e receita líquida de R$ 1,48 bilhão, busca reforçar o caixa para investimentos em expansão e modernização da rede paulista.
Calendário e condicionantes
A precificação da oferta está prevista para 23 de julho, um dia antes da assembleia geral extraordinária (AGE) de 24 de julho, que precisa aprovar o aumento do capital autorizado da companhia. A efetivação da operação e o montante final dependem da demanda dos investidores e das condições de mercado até lá.
A empresa não detalhou a destinação exata dos recursos no fato relevante. A oferta é coordenada por bancos ainda não divulgados. Resta saber se a demanda será suficiente para exercer integralmente o lote adicional e se o preço final se manterá próximo ao valor de referência.











